IME-USP

Árvores do IME

VOCÊ SABIA? Árvores do IME foram plantadas por professor nos anos 70

Nem sempre a USP contou com esta vasta gama de vegetação encontrada atualmente no campus. No seu início, a Universidade tinha pouquíssimas plantas, já que o terreno era uma doação ao Governo do Estado de São Paulo da antiga fazenda Butantan, que se dedicava ao plantio de café e a criação de gado.

Com o IME não era diferente: era um aterro por cima de um brejo, extremamente estéril. Foi pela iniciativa do, hoje aposentado, professor Amadeo Peter Hiller, do Departamento de Matemática, que a situação começou a mudar. Ele começou a lecionar em 1969, mas foi em meados de 1975 que começou a colocar em prática sua ideia de dar mais vida ao entorno do IME. “Na época eu era assistente do professor da Poli e do IME, Waldyr Oliva, que se tornou reitor. Quando ele foi eleito, eu aproveitei o embalo para falar sobre as árvores que eu pretendia plantar”, conta o ex-docente.

O matemático resolveu falar com um professor do Instituto Agronômico de Campinas para fazer o planejamento estético. “Eu comprei as plantas numa fazenda que era do José Bonifácio Coutinho Nogueira, que foi secretário da agricultura. Ele tinha uma criação de árvores nativas para vender, então ali eu comprei muita coisa por um bom preço. Tinha outra floricultura, também em Campinas, que se chamava Flora Campineira. Ela era cara, mas tinha várias plantas exóticas, como da Malásia, por exemplo”, conta.

Com um caminhão para instalar postes da prefeitura do campus, Amadeo começou a criar a até então inexistente flora do IME. “Fomos abrindo covas que iam abaixo do nível do aterro, para alcançar a terra mais ou menos natural que tinha lá embaixo. Depois enchemos os buracos de terra adubada e então nasceu toda essa vegetação” explica.

Uma das escolhas foi a árvore Imbaúba, típica da América do Sul. “Ela era uma das paixões do professor do Instituto Agronômico, por isso plantamos 10 ou 15 espécies diferentes, algumas até provenientes da Bolívia, por exemplo. Isso deixou uma aluna da Biologia que veio nos visitar doida, já que ela nunca tinha visto tantas espécies assim”, relata o ex- professor.

Muntingia calabura, “calabura”, IME – Foto: Gisele Alves

Contudo, algumas árvores alcançaram proporções inesperadas. “Na entrada que não é mais usada pelo IME, em direção à FAU, tem uma árvore enorme. Essa foi plantada depois, o professor do Agronômico foi quem me deu de presente da Argentina. Era uma mudinha de nada e virou uma árvore enorme, ocupando muito espaço”.

Segundo Amadeo, o Instituto Agronômico de Campinas foi de grande ajuda; e o IME resolveu as pendências burocráticas, como conseguir o maquinário para ajudar no plantio. “Apesar disso, todo mundo me dava tapinha nas costas pelo trabalho”, brinca (texto extraído do Jornal Acontece no IME, número 29, agosto de 2015)

Placas informativas nos espaços do IME: conhecendo e valorizando a diversidade vegetal da USP

Pau-brasil, embaúba, ipê-rosa, quaresmeira… A USP conta com uma série de áreas verdes ricas em espécies, muitas nativas do Brasil, que possuem história única ou que até estão ameaçadas de extinção. No IME, agora essa diversidade ganhou nome. Recentemente, houve a instalação de placas informativas em algumas árvores importantes presentes no espaço do IME. São mudas plantadas por iniciativa de membros da comunidade USP, em especial o Professor Amadeo Peter Hiller, do Departamento de Matemática, hoje aposentado.

A instalação é produto de um projeto de extensão denominado “Árvores USP”, criado e mantido por alunos de graduação e pós-graduação do Instituto de Biociências (IB) da USP, e que contou com o apoio da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária, do IME, e da orientação do Professor José Rubens Pirani, do Departamento de Botânica do IB. O projeto também produziu placas na região do fitotério do IB, que é um espaço de cultivo de plantas de diferentes lugares do Brasil para ensino e pesquisa, mas que é aberto a visita pública.

As placas contam com uma série de informações úteis, como origem, família botânica, época de floração, fotos, e eventuais usos conhecidos: se a planta é comestível, tóxica ou medicinal.Também conta com um acesso via QR code, que redireciona a um mapa do IME que mostra todas as plantas do espaço, onde lá se podem encontrar mais fotos e informações que vão além das fornecidas pela placa.

Interface virtual do mapa interativo redirecionado pelo QR code presente nas placas do instituto.

A ideia deste projeto é que ele se expanda para outros espaços da universidade. Como ele conta com a iniciativa voluntária de diferentes membros da comunidade USP, qualquer pessoa pode participar, entrando em contato através do site www.ib.usp.br/botanica/arvores-usp.

(texto enviado pelo aluno Matheus Colli Silva, do curso de graduação da Biologia-USP)