Jogos de tabuleiro aproximam funcionários e inauguram ciclo PertencIME no IME-USP
Entre cartas, peças, tabuleiros e boas conversas, funcionários do IME-USP trocaram, por algumas horas da tarde de 27 de agosto, a rotina de trabalho por uma vivência diferente: sentar à mesma mesa para jogar, aprender e, principalmente, conviver com os colegas. O evento “Se Joga no IME!” inaugurou o ciclo de atividades PertencIME, iniciativa voltada em promover vínculos e estimular o sentimento de pertencimento na comunidade.
Durante a tarde, os participantes puderam experimentar nove jogos de tabuleiro com diferentes propostas e tempos de duração, além dos jogos mais conhecidos, como baralho, dama e dominó. Monitores apresentaram as regras e acompanharam as partidas, permitindo que mesmo quem não tivesse experiência anterior pudesse se juntar às mesas.
Os jogos podem estimular criatividade, raciocínio, memória, comunicação, tomada de decisão e outras habilidades interpessoais. Para Jean, a atividade também representa uma oportunidade de recuperar, no cotidiano dos adultos, uma dimensão lúdica que muitas vezes acaba ficando em segundo plano diante das obrigações do trabalho.
No IME-USP, o encontro integra uma proposta mais ampla da CIP, que, desde sua criação, em 2023, desenvolve ações voltadas à melhoria do ambiente de trabalho e ao fortalecimento dos vínculos entre os integrantes da comunidade do Instituto.
A proposta mobilizou a Biblioteca do IME-USP (BIME), que já promove outras ações culturais e de convivência, como o Clube de Leitura e a Oficina de Go.

Para Leosmar Marreiros de Almeida, um dos objetivos era proporcionar um momento em que funcionários de diferentes setores pudessem se encontrar e conversar fora das atividades habituais de trabalho.

O LUDUSP é um grupo dedicado a divulgar a cultura dos jogos de tabuleiro modernos na Universidade de São Paulo. A iniciativa busca aproximar pessoas que já jogam ou têm interesse nesse universo, conectar grupos de diferentes unidades e ampliar os espaços e as oportunidades para a prática dentro da USP.
O grupo parte da ideia de que os jogos de tabuleiro também podem contribuir para o desenvolvimento pessoal, a saúde e o bem-estar e a socialização. Essas três frentes orientam as atividades do LUDUSP e aproximam a iniciativa de ações de convivência, inclusão e pertencimento desenvolvidas na Universidade.
Aberto à participação de novos organizadores, o grupo pretende ampliar sua atuação e tem como objetivo, no futuro, contribuir para a criação de um espaço permanente dedicado aos jogos, como uma ludoteca ou laboratório lúdico voltado ao público jovem e adulto, que possa atender tanto a comunidade USP quanto a sociedade.
A reação dos participantes indicou a boa receptividade da iniciativa. “As pessoas vieram cumprimentar e perguntar quando seria o próximo”, conta Leosmar. Segundo ele, a intenção agora é estudar formas de ampliar a atividade e realizar novos encontros no Instituto.
Mesmo sem ter o hábito de jogar, acabei participando de várias partidas e me surpreendi com a experiência.

Odete, da Biblioteca
Tarde fantástica!
Fiz uma super atualização
de jogos que nem sabia que existia.
Que venham mais!

Fred, da Seção de Produção Digital
Isso sim é uma descompressão!
Foi uma tarde de interação com muitos jogos, muito bom!

Solange Ivo, do CAEM
Muito bom!
Foi uma tarde de interação
com muitos jogos.

Agnaldo, da Seção de Prod. Digital
De acordo com os registros da organização, 33 pessoas fizeram check-in durante o evento, sendo 27 funcionários, um docente e cinco estudantes. Embora a atividade tenha sido divulgada entre os servidores, estudantes que passaram pelo local e demonstraram interesse também foram convidados a participar das partidas.
Do IAG ao IME: uma proposta para circular pela USP

Formado em Meteorologia e também em Educação Física, Jean Rafael Romão Peres conta que o interesse pelo tema surgiu durante sua segunda graduação, em uma disciplina dedicada a jogos, brinquedos e brincadeiras. A partir dessa experiência, passou a estudar como os jogos de tabuleiro poderiam contribuir em três frentes: saúde e bem-estar, socialização e desenvolvimento de competências.
A iniciativa começou no IAG-USP em 2025, quando recebeu apoio da Pró-Reitoria de Inclusão e Pertencimento (PRIP), por meio de um edital de fomento voltado aos funcionários técnico-administrativos. A experiência e os resultados obtidos incentivaram Jean a levar a proposta a outras unidades da Universidade. O IME-USP foi uma delas.
Em uma avaliação realizada com participantes do projeto no IAG, as três dimensões analisadas — saúde e bem-estar, socialização e desenvolvimento de competências — receberam notas superiores a quatro, em uma escala de zero a cinco. Um dos resultados surpreendeu Jean: o raciocínio lógico, que ele esperava encontrar entre as habilidades mais mencionadas, ficou atrás da escuta. Durante uma partida, os jogadores precisam compreender regras, acompanhar as ações dos demais, manter a atenção e tomar decisões a partir do que acontece à mesa.
No início da tarde, conta Leosmar, algumas pessoas ainda observavam as mesas com certa timidez. Aos poucos, porém, os grupos foram se formando e a movimentação aumentou. Durante boa parte do encontro, as mesas permaneceram ocupadas, enquanto os participantes aprendiam novos jogos e experimentavam diferentes dinâmicas.
A presença de estudantes também ampliou a proposta inicial da atividade. Inserido em uma iniciativa de inclusão e pertencimento, o encontro foi pensado como um espaço aberto à convivência e à participação de diferentes públicos da comunidade universitária.
Essa integração é justamente um dos aspectos que Jean considera mais interessantes na experiência. Ao redor de uma mesa, pessoas que muitas vezes circulam pelo mesmo Instituto sem se conhecer passam a conversar, negociar estratégias, cooperar ou competir durante uma partida.
A boa recepção da primeira edição já aponta para possíveis próximos passos. Além de estudar a realização de novos encontros, Leosmar participa de um curso de formação em monitoria de jogos de tabuleiro, com a perspectiva de formar uma equipe que possa conduzir as atividades no próprio IME.
Se depender das manifestações dos participantes, novos tabuleiros poderão voltar a ocupar as mesas do Instituto. Entre uma jogada e outra, o “Se Joga no IME!” mostrou como os jogos podem abrir espaço para novas relações, estimular habilidades e aproximar pessoas que compartilham diariamente o mesmo ambiente de trabalho e estudo.
Por Islaine Maciel, com informações de Jean Peres e Leosmar Marreiros de Almeida
Imagens: Sergio Oliveira




