Vandermonde e interpolação. Sejam \(t_0,\ldots,t_n\in\R\) dois a dois distintos e \[V = \begin{pmatrix}
1 & t_0 & t_0^2 & \cdots & t_0^n\\
1 & t_1 & t_1^2 & \cdots & t_1^n\\
\vdots & & & & \vdots\\
1 & t_n & t_n^2 & \cdots & t_n^n\end{pmatrix}.\] Vale \[\det V = \prod_{0\leq i<j\leq n}(t_j-t_i)\neq0.\]
Por que. Pense em \(\det V\) como polinômio na variável \(t_n\), com os demais fixos: ele tem grau \(\leq n\) e se anula em \(t_n = t_0,\ldots,t_{n-1}\) (duas linhas iguais), logo é múltiplo de \((t_n-t_0)\cdots(t_n-t_{n-1})\). Comparando o coeficiente de \(t_n^n\) (que é, por Laplace na última linha, o determinante de Vandermonde de ordem \(n\)) e iterando, sai a fórmula.
Para que serve. Considere \(T:\Pol{n}\to\R^{n+1}\), \(T(p) = (p(t_0),\ldots,p(t_n))\). Nas bases \((1,x,\ldots,x^n)\) e canônica, \([T] = V\). Como \(\det V\neq0\), \(T\) é isomorfismo: dados quaisquer valores \(y_0,\ldots,y_n\), existe um e um só polinômio de grau \(\leq n\) com \(p(t_i)=y_i\). É o teorema da interpolação, obtido de um determinante.
O determinante de Vandermonde não é uma curiosidade: ele é a afirmação de que a avaliação em \(n+1\) pontos distintos é um isomorfismo \(\Pol{n}\to\R^{n+1}\). Escolhidas as alturas nos pontos, o polinômio existe e é único — e a razão é que um determinante não se anula.