3.7 Funções mensuráveis

Esta seção é uma continuação da anterior. Aqui vamos introduzir o conceito de funções mensuráveis e estudar suas principais propriedades.

Definição 3.38 (Função mensurável).

Sejam (Ω1,ℱ1)(\Omega_{1},\mathcal{F}_{1}) e (Ω2,ℱ2)(\Omega_{2},\mathcal{F}_{2}) dois espaços mensuráveis. Dizemos que uma função f:Ω1→Ω2f:\Omega_{1}\to\Omega_{2} é ℱ1/ℱ2\mathcal{F}_{1}/\mathcal{F}_{2}-mensurável se, para todo A∈ℱ2A\in\mathcal{F}_{2}, o conjunto f−1⁢(A)={ω∈Ω1:f⁢(ω)∈A}f^{-1}(A)=\{\omega\in\Omega_{1}:f(\omega)\in A\} está em ℱ1\mathcal{F}_{1}.

Quando as σ\sigma-álgebras ℱ1\mathcal{F}_{1} e ℱ2\mathcal{F}_{2} estiverem claras no contexto, podemos reduzir ‘ℱ1/ℱ2\mathcal{F}_{1}/\mathcal{F}_{2}-mensurável’ para apenas ‘mensurável’ ou ‘ℱ1\mathcal{F}_{1}-mensurável’. Quando o espaço for ℝ\mathbb{R} ou ℝn\mathbb{R}^{n}, vamos sempre considerar a σ\sigma-álgebra de Borel.

Como é de se esperar, a composição de funções mensuráveis é mensurável.

Lema 3.39 (Composição de funções mensuráveis).

Sejam (Ω1,ℱ1)(\Omega_{1},\mathcal{F}_{1}), (Ω2,ℱ2)(\Omega_{2},\mathcal{F}_{2}) e (Ω3,ℱ3)(\Omega_{3},\mathcal{F}_{3}) espaços mensuráveis e f:Ω1→Ω2,g:Ω2→Ω3f:\Omega_{1}\to\Omega_{2},\ g:\Omega_{2}\to\Omega_{3} funções mensuráveis. Então, a composição g∘fg\circ f é mensurável.

Demonstração.

Seja A∈ℱ3A\in\mathcal{F}_{3}. Como gg é mensurável, g−1⁢(A)∈ℱ2g^{-1}(A)\in\mathcal{F}_{2}. Como ff é mensurável, (g∘f)−1⁢(A)=f−1⁢(g−1⁢(A))∈ℱ1(g\circ f)^{-1}(A)=f^{-1}(g^{-1}(A))\in\mathcal{F}_{1}. Como isso vale para todo A∈ℱ3A\in\mathcal{F}_{3}, concluímos que g∘fg\circ f é mensurável. ∎

Observe que pré-imagem comuta com operações de conjuntos: f−1⁢(A∖B)=f−1⁢(A)∖f−1⁢(B)f^{-1}(A\setminus B)=f^{-1}(A)\setminus f^{-1}(B), f−1⁢(A∩B)=f−1⁢(A)∩f−1⁢(B)f^{-1}(A\cap B)=f^{-1}(A)\cap f^{-1}(B), etc. Dado um espaço amostral Ω1\Omega_{1}, um espaço mensurável (Ω2,ℱ2)(\Omega_{2},\mathcal{F}_{2}) e uma função f:Ω1→Ω2f:\Omega_{1}\to\Omega_{2}, podemos construir uma σ\sigma-álgebra em Ω1\Omega_{1} induzida por ff.

Definição 3.40 (σ\sigma-álgebra gerada por uma função ff).

Sejam Ω1\Omega_{1} um conjunto não-vazio, (Ω2,ℱ2)(\Omega_{2},\mathcal{F}_{2}) um espaço mensurável e f:Ω1→Ω2f:\Omega_{1}\to\Omega_{2}. A σ\sigma-álgebra gerada por ff em Ω1\Omega_{1} é definida como σ⁢(f)={f−1⁢(A):A∈ℱ2}\sigma(f)=\{f^{-1}(A):A\in\mathcal{F}_{2}\}.

Observe que σ⁢(f)\sigma(f) é de fato uma σ\sigma-álgebra (exercício!). A notação σ⁢(f)\sigma(f) não deixa explícito o fato de que σ⁢(f)\sigma(f) também depende de ℱ2\mathcal{F}_{2}. Uma função qualquer f:Ω1→Ω2f:\Omega_{1}\to\Omega_{2} é mensurável se, e somente se, σ⁢(f)⊆ℱ1\sigma(f)\subseteq\mathcal{F}_{1}.

Definição 3.41.

Sejam f:Ω1→Ω2f:\Omega_{1}\to\Omega_{2} uma função mensurável e μ\mu uma medida em Ω1\Omega_{1}. Definimos a medida push-forward f∗⁢μf_{*}\mu em Ω2\Omega_{2} dada por

(f∗⁢μ)⁢(A)=μ⁢(f−1⁢(A)).(f_{*}\mu)(A)=\mu(f^{-1}(A)).

Deixamos como exercício a prova de que f∗⁢μf_{*}\mu é uma medida.

Muitas vezes, é inconveniente verificar que f−1⁢(A)∈ℱ1f^{-1}(A)\in\mathcal{F}_{1} para todo A∈ℱ2A\in\mathcal{F}_{2}, pois a classe ℱ2\mathcal{F}_{2} pode ser muito grande. O lema abaixo simplifica essa tarefa.

Lema 3.42 (Critério de mensurabilidade).

Sejam (Ω1,ℱ1)(\Omega_{1},\mathcal{F}_{1}) e (Ω2,ℱ2)(\Omega_{2},\mathcal{F}_{2}) espaços mensuráveis, ℰ⊆ℱ2\mathcal{E}\subseteq\mathcal{F}_{2} uma classe de conjuntos que gera ℱ2\mathcal{F}_{2}, e f:Ω1→Ω2f:\Omega_{1}\to\Omega_{2}. Se f−1⁢(A)∈ℱ1f^{-1}(A)\in\mathcal{F}_{1} para todo A∈ℰA\in\mathcal{E}, então ff é mensurável.

Demonstração.

É suficiente mostrar que a coleção 𝒢\mathcal{G} dada por

𝒢={A⊆Ω2:f−1⁢(A)∈ℱ1}\mathcal{G}=\{A\subseteq\Omega_{2}:f^{-1}(A)\in\mathcal{F}_{1}\}

é uma σ\sigma-álgebra em Ω2\Omega_{2}, pois por hipótese ℰ⊆𝒢\mathcal{E}\subseteq\mathcal{G}, de forma que ℱ2=σ⁢(ℰ)⊆𝒢\mathcal{F}_{2}=\sigma(\mathcal{E})\subseteq\mathcal{G}. Primeiro, Ω2∈𝒢\Omega_{2}\in\mathcal{G}, pois f−1⁢(Ω2)=Ω1∈ℱ1f^{-1}(\Omega_{2})=\Omega_{1}\in\mathcal{F}_{1}. Segundo, dado A∈𝒢A\in\mathcal{G}, como f−1⁢(Ω2∖A)=Ω1∖f−1⁢(A)∈ℱ1f^{-1}(\Omega_{2}\setminus A)=\Omega_{1}\setminus f^{-1}(A)\in\mathcal{F}_{1}, segue que Ac∈𝒢A^{c}\in\mathcal{G}. Terceiro, dados A1,A2,⋯∈𝒢A_{1},A_{2},\dots\in\mathcal{G} como f−1⁢(∪j=1∞Aj)=∪j=1∞f−1⁢(Aj)∈ℱ1f^{-1}(\cup_{j=1}^{\infty}A_{j})=\cup_{j=1}^{\infty}f^{-1}(A_{j})\in\mathcal{F% }_{1}, segue que ⋃j=1∞Aj∈𝒢\bigcup_{j=1}^{\infty}A_{j}\in\mathcal{G}. Portanto, 𝒢\mathcal{G} é σ\sigma-álgebra sobre Ω2\Omega_{2}. ∎

Como espaços de probabilidade são espaços de medida, podemos reformular conceitos envolvendo variáveis aleatórias na linguagem desta seção. Pelo lema acima, uma função X:Ω→ℝX:\Omega\to\mathbb{R} é uma variável aleatória se, e somente se, é uma função mensurável. Ademais, a distribuição de XX, que denotamos ℙX\mathbb{P}_{X}, é o push-forward da medida ℙ\mathbb{P} pela função XX, ou seja, ℙX=X∗⁢ℙ\mathbb{P}_{X}=X_{*}\mathbb{P}. Em particular, a fórmula (3.7) está definida para todo B∈ℬB\in\mathcal{B}. A σ\sigma-álgebra gerada por XX é denotada por σ⁢(X)\sigma(X).

Lema 3.43 (Funções contínuas).

Toda f:ℝn→ℝf:\mathbb{R}^{n}\to\mathbb{R} contínua é mensurável.

Demonstração.

Tomamos ℰ\mathcal{E} como a classe dos conjuntos abertos em ℝ\mathbb{R}. Seja B∈ℰB\in\mathcal{E}. Como ff é contínua, f−1⁢(B)f^{-1}(B) é aberto, logo f−1⁢(B)∈ℬ⁢(ℝn)f^{-1}(B)\in\mathcal{B}(\mathbb{R}^{n}). Como σ⁢(ℰ)=ℬ⁢(ℝ)\sigma(\mathcal{E})=\mathcal{B}(\mathbb{R}), pelo Lema 3.42, ff é mensurável. ∎

Lema 3.44 (Funções monótonas).

Toda f:ℝ→ℝf:\mathbb{R}\to\mathbb{R} monótona é mensurável.

Demonstração.

Tomamos ℰ\mathcal{E} como a classe dos intervalos (possivelmente vazios) de ℝ\mathbb{R}. Como a pré-imagem de um intervalo por uma função monótona é sempre um intervalo, f−1⁢(B)∈ℰ⊆ℬf^{-1}(B)\in\mathcal{E}\subseteq\mathcal{B} para todo B∈ℰB\in\mathcal{E}. Pela Proposição 1.43, σ⁢(ℰ)=ℬ\sigma(\mathcal{E})=\mathcal{B}. Logo, pelo Lema 3.42, ff é mensurável. ∎

Lema 3.45 (Justaposição de funções reais).

Seja (Ω,ℱ)(\Omega,\mathcal{F}) um espaço mensurável e f1,…,fn:Ω→ℝf_{1},\dots,f_{n}:\Omega\to\mathbb{R} funções reais. Considere a função 𝐟:Ω→ℝn\boldsymbol{f}:\Omega\to\mathbb{R}^{n} dada por 𝐟=(f1,…,fn)\boldsymbol{f}=(f_{1},\dots,f_{n}). Então, 𝐟\boldsymbol{f} é ℱ/ℬ⁢(ℝn)\mathcal{F}/\mathcal{B}(\mathbb{R}^{n})-mensurável se, e somente se, todas as f1,…,fnf_{1},\dots,f_{n} são ℱ/ℬ⁢(ℝ)\mathcal{F}/\mathcal{B}(\mathbb{R})-mensuráveis.

Demonstração.

Suponha que 𝒇\boldsymbol{f} seja mensurável. Como a projeção πk:ℝn→ℝ\pi_{k}:\mathbb{R}^{n}\to\mathbb{R} dada por πk⁢(x1,…,xn)=xk\pi_{k}(x_{1},\dots,x_{n})=x_{k} é uma função contínua, é mensurável. Como fk=πk∘𝒇f_{k}=\pi_{k}\circ\boldsymbol{f}, segue que fkf_{k} é mensurável. Reciprocamente, suponha que f1,…,fnf_{1},\dots,f_{n} são mensuráveis. Seja A⊆ℝnA\subseteq\mathbb{R}^{n} aberto. Pelo Teorema A.10, existe uma sequência de paralelepípedos abertos (Ij)j∈ℕ(I_{j})_{j\in\mathbb{N}} tais que A=∪jIjA=\cup_{j}I_{j}. Cada IjI_{j} é da forma (a1,b1)×⋯×(an,bn)(a_{1},b_{1})\times\dots\times(a_{n},b_{n}). Assim, {𝒇∈Ij}=∩k=1n{fk∈(ak,bk)}∈ℱ\{\boldsymbol{f}\in I_{j}\}=\cap_{k=1}^{n}\{f_{k}\in(a_{k},b_{k})\}\in\mathcal% {F}, logo {𝒇∈A}=∪j{𝒇∈Ij}∈ℱ\{\boldsymbol{f}\in A\}=\cup_{j}\{\boldsymbol{f}\in I_{j}\}\in\mathcal{F}. Pelo Lema 3.42, 𝒇\boldsymbol{f} é mensurável. ∎

Veremos mais adiante que algumas operações usuais com funções reais mensuráveis resultam em funções também mensuráveis. Para tratar de forma mais robusta supremos e limites de funções, sem ter que ficar separando em casos, é mais conveniente considerar funções que tomam valores na reta estendida [−∞,+∞][-\infty,+\infty].

Definimos a σ\sigma-álgebra de Borel em [−∞,+∞][-\infty,+\infty] como

ℬ⁢([−∞,+∞])={A⊆[−∞,+∞]:A∩ℝ∈ℬ⁢(ℝ)}.\mathcal{B}([-\infty,+\infty])=\{A\subseteq[-\infty,+\infty]:A\cap\mathbb{R}% \in\mathcal{B}(\mathbb{R})\}.

Em outras palavras, essa σ\sigma-álgebra é formada por conjuntos da forma B∪DB\cup D, com B∈ℬ⁢(ℝ)B\in\mathcal{B}(\mathbb{R}) e D⊆{−∞,+∞}D\subseteq\{-\infty,+\infty\}.

Proposição 3.46.

Uma função f:Ω→[−∞,+∞]f:\Omega\to[-\infty,+\infty] é mensurável se, e somente se, {f⩽a}∈ℱ\{f\leqslant a\}\in\mathcal{F} para todo a∈ℝa\in\mathbb{R}.

Demonstração.

Basta mostrar que σ⁢(ℰ)=ℬ⁢([−∞,+∞])\sigma(\mathcal{E})=\mathcal{B}([-\infty,+\infty]), onde ℰ\mathcal{E} é a classe {[−∞,a]:a∈ℝ}\{[-\infty,a]:a\in\mathbb{R}\}. Observe que {−∞}=∩a∈ℤ[−∞,a]∈σ⁢(ℰ)\{-\infty\}=\cap_{a\in\mathbb{Z}}[-\infty,a]\in\sigma(\mathcal{E}), pois σ⁢(ℰ)\sigma(\mathcal{E}) é fechada por interseções enumeráveis. Da mesma forma, [−∞,+∞)=∪a∈ℤ[−∞,a]∈σ⁢(ℰ)[-\infty,+\infty)=\cup_{a\in\mathbb{Z}}[-\infty,a]\in\sigma(\mathcal{E}), logo {+∞}\{+\infty\} e ℝ\mathbb{R} também estão em σ⁢(ℰ)\sigma(\mathcal{E}). Defina 𝒢={A∩ℝ:A∈σ⁢(ℰ)}\mathcal{G}=\{A\cap\mathbb{R}:A\in\sigma(\mathcal{E})\}. Observe que 𝒢\mathcal{G} é uma σ\sigma-álgebra em ℝ\mathbb{R} e, como (−∞,a]=[−∞,a]∩ℝ∈𝒢(-\infty,a]=[-\infty,a]\cap\mathbb{R}\in\mathcal{G} para todo a∈ℝa\in\mathbb{R}, temos que ℬ⁢(ℝ)⊆𝒢\mathcal{B}(\mathbb{R})\subseteq\mathcal{G}. Assim, σ⁢(ℰ)\sigma(\mathcal{E}) contém ℬ⁢(ℝ)\mathcal{B}(\mathbb{R}), {−∞}\{-\infty\} e {+∞}\{+\infty\}. Portanto, σ⁢(ℰ)\sigma(\mathcal{E}) contém ℬ⁢([−∞,+∞])\mathcal{B}([-\infty,+\infty]), que contém ℰ\mathcal{E}, provando que σ⁢(ℰ)=ℬ⁢([−∞,+∞])\sigma(\mathcal{E})=\mathcal{B}([-\infty,+\infty]). ∎

Uma função f:Ω→ℝf:\Omega\to\mathbb{R} ou f:Ω→[0,+∞]f:\Omega\to[0,+\infty] é um caso particular de uma função f:Ω→[−∞,+∞]f:\Omega\to[-\infty,+\infty], e o critério de mensurabilidade é o mesmo. Assim sendo, propriedades de funções mensuráveis tomando valores em [−∞,+∞][-\infty,+\infty] também valem para funções mensuráveis tomando valores em ℝ\mathbb{R}.

Definição 3.47 (Variável aleatória estendida).

Seja (Ω,ℱ,ℙ)(\Omega,\mathcal{F},\mathbb{P}) um um espaço de probabilidade. Uma variável aleatória estendida é uma função mensurável X:Ω→[−∞,+∞]X:\Omega\to[-\infty,+\infty].

Uma propriedade que vamos usar inúmeras vezes, quase sempre de forma implícita, é que a mensurabilidade é preservada por vários tipos de operações básicas com funções. As propriedades enunciadas abaixo serão usadas em capítulos subsequentes sem que se lhes faça referência explícita.

As provas dos lemas abaixo encontram-se no Apêndice D.3.

Lema 3.48 (Comparação de funções).

Sejam (Ω,ℱ)(\Omega,\mathcal{F}) um espaço mensurável e f,g:Ω→[−∞,+∞]f,g:\Omega\to[-\infty,+\infty] funções mensuráveis. Então, os subconjuntos de Ω\Omega dados por {f<g}\{f<g\}, {f⩽g}\{f\leqslant g\}, {f=g}\{f=g\}, e {f≠g}\{f\neq g\} pertencem à σ\sigma-álgebra ℱ\mathcal{F}.

Somas e produtos de funções mensuráveis também são mensuráveis.

Lema 3.49 (Somas e produtos).

Seja (Ω,ℱ)(\Omega,\mathcal{F}) um espaço mensurável e f,g:Ω→[−∞,+∞]f,g:\Omega\to[-\infty,+\infty] funções mensuráveis. Então, f⁢gfg é uma função mensurável. Se f+gf+g está bem definida para todo ω\omega, então é uma função mensurável.

O lim sup\limsup e correlatos também preservam mensurabilidade.

Lema 3.50 (Supremos e limites de funções).

Sejam (Ω,ℱ)(\Omega,\mathcal{F}) um espaço mensurável e (fn)n⩾1(f_{n})_{n\geqslant 1} uma sequência de funções mensuráveis de Ω\Omega em [−∞,+∞][-\infty,+\infty]. Então, as funções supnfn\sup_{n}f_{n}, infnfn\inf_{n}f_{n}, lim supnfn\limsup_{n}f_{n}, lim infnfn\liminf_{n}f_{n} são mensuráveis. Em particular, se definimos a função

f⁢(ω)={limnfn⁢(ω),caso o limite exista,0,caso contrário,f(\omega)=\begin{cases}\lim_{n}f_{n}(\omega),&\text{caso o limite exista},\\ 0,&\text{caso contr\'{a}rio},\end{cases}

então ff é uma função mensurável. Se as funções (fn)n(f_{n})_{n} são não-negativas, então ∑nfn\sum_{n}f_{n} é uma função mensurável.