9.5 Teorema de Slutsky e Método Delta

Nesta seção, veremos o Teorema de Slutsky e o Método Delta, ambos de suma importância em Inferência Estatística. Começamos pelo Teorema do Mapeamento Contínuo, que é uma propriedade fundamental da convergência em distribuição.

Teorema 9.17 (Teorema do Mapeamento Contínuo).

Sejam (Xn)n(X_{n})_{n} e XX variáveis aleatórias e g:ℝ→ℝg:\mathbb{R}\to\mathbb{R} uma função mensurável. Suponha que gg seja contínua em todos os pontos de algum conjunto C∈ℬC\in\mathcal{B} tal que ℙ⁢(X∈C)=1\mathbb{P}(X\in C)=1. Se Xn⁢→d⁢XX_{n}\overset{\smash{\mathrm{d}}}{\rightarrow}X, então g⁢(Xn)⁢→d⁢g⁢(X)g(X_{n})\overset{\smash{\mathrm{d}}}{\rightarrow}g(X).

Demonstração.

Pelo acoplamento de Skorokhod, existem Y∼XY\sim X e Yn∼XnY_{n}\sim X_{n} tais que ℙ⁢({ω:Yn⁢(ω)→Y⁢(ω)})=1\mathbb{P}(\{\omega:Y_{n}(\omega)\to Y(\omega)\})=1. Por hipótese, ℙ⁢({ω:Y⁢(ω)∈C})=1\mathbb{P}(\{\omega:Y(\omega)\in C\})=1. Além disso, para todo ω\omega tal que Yn⁢(ω)→Y⁢(ω)Y_{n}(\omega)\to Y(\omega) e tal que Y⁢(ω)∈CY(\omega)\in C, vale g⁢(Yn⁢(ω))→g⁢(Y⁢(ω))g(Y_{n}(\omega))\to g(Y(\omega)). Portanto, g⁢(Yn)⁢→q.c.⁢g⁢(Y)g(Y_{n})\overset{\mathrm{q.c.}}{\rightarrow}g(Y). Em particular, g⁢(Yn)⁢→d⁢g⁢(Y)g(Y_{n})\overset{\smash{\mathrm{d}}}{\rightarrow}g(Y). Por outro lado, g⁢(Yn)∼g⁢(Xn)g(Y_{n})\sim g(X_{n}) e g⁢(Y)∼g⁢(X)g(Y)\sim g(X) e, pela unicidade do limite em distribuição, g⁢(Xn)⁢→d⁢g⁢(X)g(X_{n})\overset{\smash{\mathrm{d}}}{\rightarrow}g(X), concluindo a prova. ∎

No que segue, usaremos o teorema acima em toda a sua generalidade, e também corolários óbvios como c⁢Xn⁢→d⁢c⁢XcX_{n}\overset{\smash{\mathrm{d}}}{\rightarrow}cX e Xn+c⁢→d⁢X+cX_{n}+c\overset{\smash{\mathrm{d}}}{\rightarrow}X+c, se Xn⁢→d⁢XX_{n}\overset{\smash{\mathrm{d}}}{\rightarrow}X.

Teorema 9.18 (Teorema de Slutsky).

Sejam XX, (Xn)n(X_{n})_{n}, (Yn)n(Y_{n})_{n} variáveis aleatórias e c∈ℝc\in\mathbb{R}. Se Xn⁢→d⁢XX_{n}\overset{\smash{\mathrm{d}}}{\rightarrow}X e Yn⁢→d⁢cY_{n}\overset{\smash{\mathrm{d}}}{\rightarrow}c, então:

  1. (1)
    ​

    Xn+Yn⁢→d⁢X+cX_{n}+Y_{n}\overset{\smash{\mathrm{d}}}{\rightarrow}X+c;

  2. (2)
    ​

    Yn⋅Xn⁢→d⁢c⁢XY_{n}\cdot X_{n}\overset{\smash{\mathrm{d}}}{\rightarrow}cX;

  3. (3)
    ​

    XnYn⁢→d⁢Xc\frac{X_{n}}{Y_{n}}\overset{\smash{\mathrm{d}}}{\rightarrow}\frac{X}{c}, caso c≠0c\neq 0 e Yn≠0Y_{n}\neq 0 q.c. para todo nn.

Demonstração.

Começamos pelo item (1). Supomos inicialmente que c=0c=0. Vamos usar o Teorema de Helly-Bray três vezes. Seja g:ℝ→ℝg:\mathbb{R}\to\mathbb{R} contínua, limitada e com derivada limitada. Tome M=supx∈ℝ|g⁢(x)|M=\sup_{x\in\mathbb{R}}|g(x)| e C=supx∈ℝ|g′⁢(x)|C=\sup_{x\in\mathbb{R}}|g^{\prime}(x)|, de modo que |g⁢(x)−g⁢(y)|⩽C⁢|x−y||g(x)-g(y)|\leqslant C\,|x-y| para todos x,y∈ℝx,y\in\mathbb{R}. Desenvolvemos

|𝔼⁢[g⁢(Xn+Yn)]−𝔼⁢[g⁢(Xn)]|\displaystyle|\mathbb{E}[g(X_{n}+Y_{n})]-\mathbb{E}[g(X_{n})]| ⩽𝔼⁢|g⁢(Xn+Yn)−g⁢(Xn)|\displaystyle\leqslant\mathbb{E}|g(X_{n}+Y_{n})-g(X_{n})|
⩽𝔼⁢[min⁡{2⁢M,C⁢|Yn|}]\displaystyle\leqslant\mathbb{E}\big{[}\min\{2M,C\,|Y_{n}|\}\big{]}

A última esperança converge a zero pelo Teorema de Helly-Bray, pois min⁡{2⁢M,C⁢|y|}\min\{2M,C\,|y|\} é uma função contínua e limitada de yy, e Yn⁢→d⁢0Y_{n}\overset{\smash{\mathrm{d}}}{\rightarrow}0. Da mesma forma, 𝔼⁢[g⁢(Xn)]→𝔼⁢[g⁢(X)]\mathbb{E}[g(X_{n})]\to\mathbb{E}[g(X)], pois gg é contínua, limitada e Xn⁢→d⁢XX_{n}\overset{\smash{\mathrm{d}}}{\rightarrow}X. Portanto, 𝔼⁢[g⁢(Xn+Yn)]→𝔼⁢[g⁢(X)]\mathbb{E}[g(X_{n}+Y_{n})]\to\mathbb{E}[g(X)]. Como isso vale para toda função contínua com derivada limitada; novamente pelo Teorema de Helly-Bray, concluímos que Xn+Yn⁢→d⁢XX_{n}+Y_{n}\overset{\smash{\mathrm{d}}}{\rightarrow}X. No caso c≠0c\neq 0, escrevemos Xn+Yn=(Xn+c)+(Yn−c)X_{n}+Y_{n}=(X_{n}+c)+(Y_{n}-c). Observe que Xn+c⁢→d⁢X+cX_{n}+c\overset{\smash{\mathrm{d}}}{\rightarrow}X+c e Yn−c⁢→d⁢0Y_{n}-c\overset{\smash{\mathrm{d}}}{\rightarrow}0. Aplicando o caso anterior com Xn+cX_{n}+c no lugar de XnX_{n} e Yn−cY_{n}-c no lugar de YnY_{n}, concluímos que Xn+Yn⁢→d⁢X+cX_{n}+Y_{n}\overset{\smash{\mathrm{d}}}{\rightarrow}X+c.

Passamos ao item (2). Como no item anterior, vamos supor inicialmente que c=0c=0. Sejam ε>0\varepsilon>0 e δ>0\delta>0. Tome K>0K>0 tal que ℙ⁢(|X|>K)<δ\mathbb{P}(|X|>K)<\delta e KK e −K-K sejam pontos de continuidade de FXF_{X} (é possível tomar tal KK, pois {|X|>n}↓∅︀\{|X|>n\}\downarrow\emptyset quando n→∞n\to\infty e o conjunto de pontos onde FXF_{X} é descontínua é enumerável). Vamos mostrar que Xn⁢Yn⁢→ℙ⁢0X_{n}Y_{n}\overset{\mathbb{P}}{\rightarrow}0. Expandindo:

lim supnℙ⁢(|Xn⁢Yn|⩾ε)\displaystyle\limsup_{n}\mathbb{P}(|X_{n}Y_{n}|\geqslant\varepsilon) ⩽limnℙ⁢(|Xn|>K)+limnℙ⁢(|Yn|⩾εK)\displaystyle\leqslant\lim_{n}\mathbb{P}(|X_{n}|>K)+\lim_{n}\mathbb{P}(|Y_{n}|% \geqslant\tfrac{\varepsilon}{K})
=ℙ⁢(|X|>K)+0<δ,\displaystyle=\mathbb{P}(|X|>K)+0<\delta,

onde na igualdade acima utilizamos que Yn⁢→d⁢0Y_{n}\overset{\smash{\mathrm{d}}}{\rightarrow}0. Como isso vale para todo δ>0\delta>0, temos limnℙ⁢(|Xn⁢Yn|⩾ε)=0\lim_{n}\mathbb{P}(|X_{n}Y_{n}|\geqslant\varepsilon)=0, donde Xn⁢Yn⁢→ℙ⁢0X_{n}Y_{n}\overset{\mathbb{P}}{\rightarrow}0 e, em particular, Xn⁢Yn⁢→d⁢0X_{n}Y_{n}\overset{\smash{\mathrm{d}}}{\rightarrow}0. No caso c≠0c\neq 0, escrevemos Xn⁢Yn=Xn⁢(Yn−c)+c⁢XnX_{n}Y_{n}=X_{n}(Y_{n}-c)+cX_{n}. Observe que c⁢Xn⁢→d⁢c⁢XcX_{n}\overset{\smash{\mathrm{d}}}{\rightarrow}cX e Yn−c⁢→d⁢0Y_{n}-c\overset{\smash{\mathrm{d}}}{\rightarrow}0. Pelo caso anterior, com Yn−cY_{n}-c no lugar de YnY_{n}, obtemos Xn⁢(Yn−c)⁢→d⁢0X_{n}(Y_{n}-c)\overset{\smash{\mathrm{d}}}{\rightarrow}0. Pelo item (1), Yn⋅Xn⁢→d⁢c⁢XY_{n}\cdot X_{n}\overset{\smash{\mathrm{d}}}{\rightarrow}cX.

Provemos finalmente (3). Considere g:ℝ→ℝg:\mathbb{R}\to\mathbb{R} dada por g⁢(0)=0g(0)=0 e g⁢(y)=y−1g(y)=y^{-1} se y≠0y\neq 0. Pelo Teorema do Mapeamento Contínuo, 1Yn⁢→d⁢1c\frac{1}{Y_{n}}\overset{\smash{\mathrm{d}}}{\rightarrow}\frac{1}{c}, pois gg é descontinua apenas em 0 e c≠0c\neq 0. Aplicando o item (2), com 1Yn\frac{1}{Y_{n}} no lugar de YnY_{n}, concluímos que XnYn⁢→d⁢Xc\frac{X_{n}}{Y_{n}}\overset{\smash{\mathrm{d}}}{\rightarrow}\frac{X}{c}. ∎

Corolário 9.19.

Sejam XX e (Xn)n(X_{n})_{n} variáveis aleatórias e sejam cc e (cn)n(c_{n})_{n} constantes reais. Se Xn⁢→d⁢XX_{n}\overset{\smash{\mathrm{d}}}{\rightarrow}X e cn→cc_{n}\to c, então cn⁢Xn⁢→d⁢c⁢Xc_{n}X_{n}\overset{\smash{\mathrm{d}}}{\rightarrow}cX e Xn+cn⁢→d⁢X+cX_{n}+c_{n}\overset{\smash{\mathrm{d}}}{\rightarrow}X+c.

Observação 9.20.

A conclusão do teorema acima pode ser falsa se Yn⁢→d⁢YY_{n}\overset{\smash{\mathrm{d}}}{\rightarrow}Y com YY aleatória, pois as hipóteses do teorema nada dizem sobre a distribuição conjunta de XnX_{n} e YnY_{n}. Com efeito, tome Z∼𝒩⁢(0,1)Z\sim\mathcal{N}(0,1), Xn=Yn=ZX_{n}=Y_{n}=Z, X=ZX=Z e Y=−ZY=-Z. Observe que Xn+Yn∼𝒩⁢(0,4)X_{n}+Y_{n}\sim\mathcal{N}(0,4) e X+Y=0X+Y=0 q.c., de forma que Xn⁢→d⁢XX_{n}\overset{\smash{\mathrm{d}}}{\rightarrow}X, Yn⁢→d⁢YY_{n}\overset{\smash{\mathrm{d}}}{\rightarrow}Y, mas Xn+YnX_{n}+Y_{n} não converge para X+YX+Y. ∎

Exemplo 9.21.

Considere uma sequência (Xn)n(X_{n})_{n} de variáveis aleatórias i.i.d. não-degeneradas com segundo momento finito, com média μ\mu e variância σ\sigma. Se μ\mu é desconhecido, um estimador para μ\mu após observar os valores X1,…,XnX_{1},\dots,X_{n} é

μ^n=X1+⋯+Xnn.\hat{\mu}_{n}=\frac{X_{1}+\dots+X_{n}}{n}.

Pela Lei dos Grandes Números de Kolmogorov, μ^n⁢→q.c.⁢μ\hat{\mu}_{n}\overset{\mathrm{q.c.}}{\rightarrow}\mu. Queremos saber qual é a distribuição do erro μ^n−μ\hat{\mu}_{n}-\mu. Pelo Teorema do Limite Central,

n⁢μ^n−μσ⁢→d⁢𝒩⁢(0,1),\sqrt{n}\,\frac{\hat{\mu}_{n}-\mu}{\sigma}\overset{\smash{\mathrm{d}}}{% \rightarrow}\mathcal{N}(0,1),

ou seja, μ^n−μ\hat{\mu}_{n}-\mu tem distribuição aproximadamente normal com média zero e variância σ2/n\sigma^{2}/n. Porém, gostaríamos de saber a distribuição aproximada de μ^n−μ\hat{\mu}_{n}-\mu sem ter que fazer referência ao parâmetro σ2\sigma^{2}, pois este pode ser também desconhecido. Um estimador para σ2\sigma^{2} é dado por1616 16 A razão para tomar-se n−1n-1 no denominador é para que 𝔼⁢[s^n2]=σ2\mathbb{E}[\hat{s}_{n}^{2}]=\sigma^{2}.

s^n2=∑k=1n(Xk−1n⁢∑j=1nXj)2n−1.{\hat{s}_{n}^{2}}=\frac{\sum_{k=1}^{n}(X_{k}-\frac{1}{n}\sum_{j=1}^{n}X_{j})^{% 2}}{n-1}.

Reescrevendo e expandindo a expressão acima, chegamos a

s^n2=nn−1⁢[(1n⁢∑k=1nXk2)−(1n⁢∑k=1nXk)2]⁢→q.c.⁢𝔼⁢X12−(𝔼⁢X1)2=σ2\hat{s}_{n}^{2}=\frac{n}{n-1}\bigg{[}\Big{(}\frac{1}{n}\sum_{k=1}^{n}X_{k}^{2}% \Big{)}-\Big{(}\frac{1}{n}\sum_{k=1}^{n}X_{k}\Big{)}^{2}\bigg{]}\overset{% \mathrm{q.c.}}{\rightarrow}\mathbb{E}X_{1}^{2}-(\mathbb{E}X_{1})^{2}=\sigma^{2}

pela Lei dos Grandes Números de Kolmogorov. Em particular,

s^nσ⁢→d⁢1\frac{\hat{s}_{n}}{\sigma}\overset{\smash{\mathrm{d}}}{\rightarrow}1

e, pelo item (3) do Teorema de Slutsky,

n⁢μ^n−μs^n=n⁢μ^n−μσ⋅(s^n/σ)⁢→d⁢𝒩⁢(0,1),\sqrt{n}\,\frac{\hat{\mu}_{n}-\mu}{{\hat{s}_{n}}}=\sqrt{n}\,\frac{\hat{\mu}_{n% }-\mu}{\sigma\cdot({\hat{s}_{n}}/\sigma)}\overset{\smash{\mathrm{d}}}{% \rightarrow}\mathcal{N}(0,1),

ou seja, μ^n−μ\hat{\mu}_{n}-\mu tem distribuição aproximadamente normal com média zero e variância s^n2/n\hat{s}_{n}^{2}/n (para que o quociente acima esteja definido, substituímos s^n\hat{s}_{n} por 11 caso seu valor seja 0; a probabilidade desse evento tende a zero). ∎

No exemplo acima, qual a distribuição aproximada de μ^n−1−μ−1\hat{\mu}_{n}^{-1}-\mu^{-1}, ou de μ^n2−μ2\hat{\mu}_{n}^{2}-\mu^{2}? A resposta é dada por outra aplicação do Teorema de Slutsky.

Teorema 9.22 (Método Delta).

Seja (Yn)n(Y_{n})_{n} uma sequência de variáveis aleatórias tais que

rn⋅(Yn−μ)⁢→d⁢Zr_{n}\cdot(Y_{n}-\mu)\overset{\smash{\mathrm{d}}}{\rightarrow}Z

para alguma sequência de números reais rn→+∞r_{n}\to+\infty, algum μ∈ℝ\mu\in\mathbb{R} e alguma variável aleatória ZZ. Se g:ℝ→ℝg:\mathbb{R}\to\mathbb{R} é uma função mensurável e gg é diferenciável em μ\mu, então

rn⋅(g⁢(Yn)−g⁢(μ))⁢→d⁢g′⁢(μ)⁢Z.r_{n}\cdot\big{(}g(Y_{n})-g(\mu)\big{)}\overset{\smash{\mathrm{d}}}{% \rightarrow}g^{\prime}(\mu)\,Z.
Demonstração.

Defina h:ℝ→ℝh:\mathbb{R}\to\mathbb{R} como h⁢(μ)=g′⁢(μ)h(\mu)=g^{\prime}(\mu) e h⁢(x)=g⁢(x)−g⁢(μ)x−μh(x)=\frac{g(x)-g(\mu)}{x-\mu} para x≠μx\neq\mu, e observe que hh é contínua em μ\mu. Reescrevemos

rn⋅[g⁢(Yn)−g⁢(μ)]\displaystyle r_{n}\cdot[g(Y_{n})-g(\mu)] =rn⋅h⁢(Yn)⋅(Yn−μ).\displaystyle=r_{n}\cdot h(Y_{n})\cdot(Y_{n}-\mu).

Observe que, pelo Corolário 9.19, Yn=μ+rn−1⋅rn⋅(Yn−μ)⁢→d⁢μY_{n}=\mu+r_{n}^{-1}\cdot r_{n}\cdot(Y_{n}-\mu)\overset{\smash{\mathrm{d}}}{% \rightarrow}\mu. Pelo Teorema do Mapeamento Contínuo, h⁢(Yn)⁢→d⁢h⁢(μ)=g′⁢(μ)h(Y_{n})\overset{\smash{\mathrm{d}}}{\rightarrow}h(\mu)=g^{\prime}(\mu), pois hh é contínua em μ\mu. Por outro lado, rn⋅(Yn−μ)⁢→d⁢Zr_{n}\cdot(Y_{n}-\mu)\overset{\smash{\mathrm{d}}}{\rightarrow}Z e, pelo item (2) do Teorema de Slutsky, h⁢(Yn)⋅rn⋅(Yn−μ)⁢→d⁢g′⁢(μ)⁢Zh(Y_{n})\cdot r_{n}\cdot(Y_{n}-\mu)\overset{\smash{\mathrm{d}}}{\rightarrow}g^% {\prime}(\mu)\,Z, concluindo a prova. ∎

Observação 9.23.

No contexto do Teorema do Limite Central, se

Sn−n⁢μσ⁢n⁢→d⁢𝒩⁢(0,1)\frac{S_{n}-n\mu}{\sigma\sqrt{n}}\overset{\smash{\mathrm{d}}}{\rightarrow}% \mathcal{N}(0,1)

com Sn=X1+⋯+XnS_{n}=X_{1}+\dots+X_{n}, podemos tomar Yn=X¯n=SnnY_{n}=\bar{X}_{n}=\frac{S_{n}}{n} e rn=nr_{n}=\sqrt{n}, de forma a reescrever a convergência como

n⁢(X¯n−μ)⁢→d⁢𝒩⁢(0,σ2).\ \sqrt{n}\,(\bar{X}_{n}-\mu)\overset{\smash{\mathrm{d}}}{\rightarrow}\mathcal% {N}(0,\sigma^{2}).

Neste caso, o Método Delta nos dá

n⁢(g⁢(X¯n)−g⁢(μ))⁢→d⁢𝒩⁢( 0,σ2⁢g′⁢(μ)2)\sqrt{n}\,\big{(}g(\bar{X}_{n})-g(\mu)\big{)}\overset{\smash{\mathrm{d}}}{% \rightarrow}\mathcal{N}\big{(}\,0,\sigma^{2}\,g^{\prime}(\mu)^{2}\,\big{)}

supondo que g′⁢(μ)≠0g^{\prime}(\mu)\neq 0 (ou, caso g′⁢(μ)=0g^{\prime}(\mu)=0, convencionando que 𝒩⁢(0,0)\mathcal{N}(0,0) denota uma variável aleatória degenerada q.c. igual a zero). ∎

Exemplo 9.24.

Sejam (Xn)n(X_{n})_{n} variáveis aleatórias i.i.d. com distribuição Exp(λ)\mathop{\mathrm{Exp}}\nolimits(\lambda) e considere o estimador

λ^n=nX1+⋯+Xn\hat{\lambda}_{n}=\frac{n}{X_{1}+\dots+X_{n}}

para o parâmetro λ\lambda. Pela Lei dos Grandes Números de Cantelli, λ^n⁢→q.c.⁢λ\hat{\lambda}_{n}\overset{\mathrm{q.c.}}{\rightarrow}\lambda e gostaríamos de saber a distribuição aproximada do erro λ^n−λ\hat{\lambda}_{n}-\lambda. Observe que, pelo Teorema do Limite Central,

n⁢(λ^n−1−λ−1)⁢→d⁢𝒩⁢(0,λ−2).\sqrt{n}\,(\hat{\lambda}_{n}^{-1}-\lambda^{-1})\overset{\smash{\mathrm{d}}}{% \rightarrow}\mathcal{N}(0,{\lambda^{-2}}).

Aplicando o Método Delta, com g⁢(x)=x−1g(x)=x^{-1}, obtemos

n⁢(λ^n−λ)→𝒩⁢(0,λ2).∎\sqrt{n}\,(\hat{\lambda}_{n}-\lambda)\to\mathcal{N}(0,\lambda^{2}).\qed
Exemplo 9.25.

Sejam (Xn)n(X_{n})_{n} variáveis aleatórias i.i.d. com média μ>0\mu>0 e variância σ2\sigma^{2}, e defina

μ^n=X1+⋯+Xnn.\hat{\mu}_{n}=\frac{X_{1}+\dots+X_{n}}{n}.

Suponha que estamos interessados na grandeza μ2=(𝔼⁢X1)2\mu^{2}=(\mathbb{E}X_{1})^{2} e usamos μ^n2\hat{\mu}_{n}^{2} para estimá-la. Para o erro desse estimador, o Método Delta nos dá

n⁢(μ^n 2−μ2)⁢→d⁢𝒩⁢(0,4⁢σ2⁢μ2).∎\sqrt{n}\,(\hat{\mu}_{n}^{\,2}-\mu^{2})\overset{\smash{\mathrm{d}}}{% \rightarrow}\mathcal{N}(0,4\sigma^{2}\mu^{2}).\qed