2.1 Probabilidade condicional

A probabilidade condicional é uma nova medida de probabilidade, de forma a representar melhor as chances de eventos aleatórios a partir da observação da ocorrência ou não de um dado evento.

Definição 2.1 (Probabilidade Condicional).

Sejam (Ω,ℱ,ℙ)(\Omega,\mathcal{F},\mathbb{P}) espaço de probabilidade e A,B∈ℱA,B\in\mathcal{F} eventos, com ℙ⁢(B)>0\mathbb{P}(B)>0, definimos a probabilidade condicional de AA dado BB por

ℙ⁢(A|B)=ℙ⁢(A∩B)ℙ⁢(B).\mathbb{P}(A\,|\,B)=\frac{\mathbb{P}(A\cap B)}{\mathbb{P}(B)}.

Quando ℙ⁢(B)=0\mathbb{P}(B)=0, definimos ℙ⁢(A|B)=ℙ⁢(A)\mathbb{P}(A|B)=\mathbb{P}(A).

Observe que quando ℙ⁢(B)=0\mathbb{P}(B)=0, a razão ℙ⁢(A∩B)ℙ⁢(B)\frac{\mathbb{P}(A\cap B)}{\mathbb{P}(B)} seria da forma “00\frac{0}{0}”. Alguns livros preferem não definir a probabilidade condicional ℙ⁢(A|B)\mathbb{P}(A\,|\,B) quando ℙ⁢(B)=0\mathbb{P}(B)=0, já outros optam por definir ℙ⁢(A|B)\mathbb{P}(A\,|\,B) como 0 ou ℙ⁢(A)\mathbb{P}(A). Esta última definição faz com que a maioria dos teoremas estabelecidos neste capítulo permaneçam válidos sem que tenhamos que supor que ℙ⁢(B)>0\mathbb{P}(B)>0 ou considerar o caso ℙ⁢(B)=0\mathbb{P}(B)=0 separadamente.

Proposição 2.2.

Dado B∈ℱB\in\mathcal{F}, a função que leva AA em ℙ⁢(A|B)\mathbb{P}(A|B) é uma medida de probabilidade em (Ω,ℱ)(\Omega,\mathcal{F}), isto é, satisfaz às condições da Definição 1.34.

Demonstração.

Se ℙ⁢(B)=0\mathbb{P}(B)=0, não há nada a provar, pois temos ℙ⁢(A|B)=ℙ⁢(A)\mathbb{P}(A|B)=\mathbb{P}(A) e ℙ\mathbb{P} é uma medida de probabilidade. Considerando que ℙ⁢(B)>0\mathbb{P}(B)>0, pela definição de probabilidade condicional, ℙ⁢(A|B)=ℙ⁢(A∩B)ℙ⁢(B)⩾0\mathbb{P}(A|B)=\frac{\mathbb{P}(A\cap B)}{\mathbb{P}(B)}\geqslant 0, pois o denominador é positivo e o numerador é não-negativo;

ℙ⁢(Ω|B)=ℙ⁢(Ω∩B)ℙ⁢(B)=ℙ⁢(B)ℙ⁢(B)=1;\mathbb{P}(\Omega|B)=\frac{\mathbb{P}(\Omega\cap B)}{\mathbb{P}(B)}=\frac{% \mathbb{P}(B)}{\mathbb{P}(B)}=1;

se (An)n(A_{n})_{n} é uma sequência de eventos disjuntos,

ℙ⁢(∪nAn|B)\displaystyle\mathbb{P}(\cup_{n}A_{n}|B) =ℙ⁢((∪nAn)∩B)ℙ⁢(B)=ℙ⁢(∪n(An∩B))ℙ⁢(B)\displaystyle=\frac{\mathbb{P}((\cup_{n}A_{n})\cap B)}{\mathbb{P}(B)}=\frac{% \mathbb{P}(\cup_{n}(A_{n}\cap B))}{\mathbb{P}(B)}
=∑nℙ⁢(An∩B)ℙ⁢(B)=∑nℙ⁢(An|B),\displaystyle=\frac{\sum_{n}\mathbb{P}(A_{n}\cap B)}{\mathbb{P}(B)}=\sum_{n}% \mathbb{P}(A_{n}|B),

onde, na segunda igualdade, utilizamos a distributividade da união com respeito à interseção e, na terceira, o fato de os eventos (An∩B)n(A_{n}\cap B)_{n} também serem disjuntos. Isto conclui que a função que leva AA em ℙ⁢(A|B)\mathbb{P}(A|B) é, de fato, uma medida de probabilidade. ∎

Exemplo 2.3.

Um dado é lançado. Sabendo-se que o resultado é maior que 33, qual a probabilidade de que seja par? Denotamos o primeiro evento por B={4,5,6}B=\{4,5,6\} e o segundo por A={2,4,6}A=\{2,4,6\}. Aplicando a definição, a probabilidade de ser par, sabendo-se que o resultado é maior que 33, é dada por

ℙ⁢(A|B)=ℙ⁢(A∩B)ℙ⁢(B)=ℙ⁢({4,6})ℙ⁢({4,5,6})=2/63/6=23.∎\mathbb{P}(A|B)=\frac{\mathbb{P}(A\cap B)}{\mathbb{P}(B)}=\frac{\mathbb{P}(\{4% ,6\})}{\mathbb{P}(\{4,5,6\})}=\frac{2/6}{3/6}=\frac{2}{3}.\qed
Exemplo 2.4.

Suponha que, numa dada população, aproximadamente 30% dos genes de cor de olhos seja para olhos claros cc, e aproximadamente 70%70\% seja para olhos escuros CC. Suponha também que os casais se formam e decidem ter filhos aleatoriamente (sem nenhuma influência da cor dos olhos), de forma que os genes CC e cc estejam uniformemente espalhados por toda uma população. Assim, um indivíduo escolhido aleatoriamente nesta população terá os genes c⁢ccc com probabilidade 0,0900{,}090, ou C⁢cCc com probabilidade 0,420{,}42, ou C⁢CCC com probabilidade 0,490{,}49. Como ter olhos claros é uma característica genética recessiva, apenas o primeiro grupo terá olhos claros, enquanto os dois últimos terão o mesmo fenótipo, de olhos escuros. Uma pessoa de olhos escuros é selecionada ao acaso. Qual a probabilidade de que essa pessoa tenha o gene recessivo para olhos claros? Denotando B=B= “olhos escuros”={C⁢c,C⁢C}=\{Cc,CC\} e A=A= “tem um gene de olhos claros”={c⁢c,C⁢c}=\{cc,Cc\}, temos

ℙ⁢(A|B)=ℙ⁢(A∩B)ℙ⁢(B)=ℙ⁢({C⁢c})ℙ⁢({C⁢c,C⁢C})≈0,420,91≈0,46,\mathbb{P}(A|B)=\frac{\mathbb{P}(A\cap B)}{\mathbb{P}(B)}=\frac{\mathbb{P}(\{% Cc\})}{\mathbb{P}(\{Cc,CC\})}\approx\frac{0{,}42}{0{,}91}\approx 0{,}46,

com dois algarismos significativos. ∎

2.1.1 Regra do Produto

A Regra do Produto permite expressar a probabilidade da ocorrência simultânea de diversos eventos a partir do valor de cada probabilidade condicional de cada um deles dados os eventos anteriores.

Teorema 2.5 (Regra do Produto).

Dados os eventos A1,A2,…,AnA_{1},A_{2},\dots,A_{n},

ℙ⁢(A1∩⋯∩An)=ℙ⁢(A1)⁢ℙ⁢(A2|A1)⁢ℙ⁢(A3|A1∩A2)⁢⋯⁢ℙ⁢(An|A1∩A2∩⋯∩An−1).\mathbb{P}(A_{1}\cap\cdots\cap A_{n})=\mathbb{P}(A_{1})\mathbb{P}(A_{2}|A_{1})% \mathbb{P}(A_{3}|A_{1}\cap A_{2})\cdots\mathbb{P}(A_{n}|A_{1}\cap A_{2}\cap% \cdots\cap A_{n-1}).
Demonstração.

Vamos provar por indução em nn. Para n=1n=1, a igualdade vale trivialmente. Para n=2n=2, se ℙ⁢(A1)>0\mathbb{P}(A_{1})>0, então

ℙ⁢(A2|A1)=ℙ⁢(A2∩A1)ℙ⁢(A1),\mathbb{P}(A_{2}|A_{1})=\frac{\mathbb{P}(A_{2}\cap A_{1})}{\mathbb{P}(A_{1})},

donde

ℙ⁢(A1∩A2)=ℙ⁢(A1)⁢ℙ⁢(A2|A1);\mathbb{P}(A_{1}\cap A_{2})=\mathbb{P}(A_{1})\mathbb{P}(A_{2}|A_{1});

se ℙ⁢(A1)=0\mathbb{P}(A_{1})=0, então ℙ⁢(A1∩A2)=0\mathbb{P}(A_{1}\cap A_{2})=0, logo a igualdade acima continua válida. Suponhamos, por hipótese de indução, que o teorema seja válido para n=mn=m. Neste caso, para n=m+1n=m+1 podemos desenvolver

ℙ⁢(A1∩⋯∩Am+1)\displaystyle\mathbb{P}(A_{1}\cap\cdots\cap A_{m+1}) =ℙ⁢(A1∩⋯∩Am)⁢ℙ⁢(Am+1|A1∩⋯∩Am)\displaystyle=\mathbb{P}(A_{1}\cap\cdots\cap A_{m})\mathbb{P}(A_{m+1}|A_{1}% \cap\cdots\cap A_{m})
=ℙ⁢(A1)⁢ℙ⁢(A2|A1)⁢ℙ⁢(A3|A1∩A2)⁢⋯\displaystyle=\mathbb{P}(A_{1})\mathbb{P}(A_{2}|A_{1})\mathbb{P}(A_{3}|A_{1}% \cap A_{2})\cdots
⋯⁢ℙ⁢(Am|A1∩⋯∩Am−1)⁢ℙ⁢(Am+1|A1∩⋯∩Am).\displaystyle\ \ \ \ \cdots\mathbb{P}(A_{m}|A_{1}\cap\cdots\cap A_{m-1})% \mathbb{P}(A_{m+1}|A_{1}\cap\cdots\cap A_{m}).

Com efeito, a primeira igualdade corresponde ao caso n=2n=2 já demonstrado, e a segunda corresponde ao caso n=mn=m, o que completa a prova. ∎

Exemplo 2.6.

Um móvel tem duas gavetas. A primeira gaveta contém três bolsas, e a segunda contém quatro bolsas. A primeira bolsa da primeira gaveta contém duas bolas vermelhas e uma bola azul, e todas as demais bolsas contêm duas bolas azuis. Abre-se uma gaveta, escolhe-se uma bolsa e retira-se uma bola de dentro da bolsa, tudo ao acaso. Qual a probabilidade de que a bola retirada seja vermelha? Denotando A=A= “abre-se a primeira gaveta”, B=B= “escolhe-se a primeira bolsa” e C=C= “retira-se a bola vermelha”, pela Regra do Produto obtemos

ℙ⁢(A∩B∩C)=ℙ⁢(A)⁢ℙ⁢(B|A)⁢ℙ⁢(C|B∩A)=12×13×23=19.∎\mathbb{P}(A\cap B\cap C)=\mathbb{P}(A)\mathbb{P}(B|A)\mathbb{P}(C|B\cap A)=% \frac{1}{2}\times\frac{1}{3}\times\frac{2}{3}=\frac{1}{9}.\qed
Exemplo 2.7.

Selecionar 33 cartas de um baralho de 5252 cartas, ao acaso e sem reposição. Qual a probabilidade de tirar 3 reis? Seja Ak=A_{k}= “tirar rei na kk-ésima retirada” e A=A= “tirar 3 reis” =A1∩A2∩A3=A_{1}\cap A_{2}\cap A_{3}. Temos

ℙ⁢(A)=ℙ⁢(A1)⁢ℙ⁢(A2|A1)⁢ℙ⁢(A3|A1∩A2)=452⁢351⁢250=15525.∎\mathbb{P}(A)=\mathbb{P}(A_{1})\mathbb{P}(A_{2}|A_{1})\mathbb{P}(A_{3}|A_{1}% \cap A_{2})=\frac{4}{52}\frac{3}{51}\frac{2}{50}=\frac{1}{5525}.\qed
Exemplo 2.8.

Continuando o Exemplo 2.4, quando um casal tem um filho, cada um dos pais transmite um dos seus dois genes com mesma probabilidade. Seleciona-se uma criança ao acaso. Qual é a probabilidade de a criança e o pai ambos terem olhos claros? Definindo A=A= “pai tem olhos claros”, B=B= “filho tem olhos claros”, D=D= “o gene transmitido pela mãe é cc”, temos

ℙ⁢(A∩B)=ℙ⁢(A)⁢ℙ⁢(B|A)=ℙ⁢(A)⁢ℙ⁢(D)≈0,090×0,30=0,027,\mathbb{P}(A\cap B)=\mathbb{P}(A)\mathbb{P}(B|A)=\mathbb{P}(A)\mathbb{P}(D)% \approx 0{,}090\times 0{,}30=0{,}027,

com dois algarismos significativos. ∎

2.1.2 Lei da Probabilidade Total

Dizemos que B1,B2,B3,⋯∈ℱB_{1},B_{2},B_{3},\dots\in\mathcal{F} formam uma partição de Ω\Omega se são disjuntos e ∪kBk=Ω\cup_{k}B_{k}=\Omega. Partições são particularmente úteis em contextos onde determinado aspecto divide os resultados possíveis em casos, e é possível expressar determinadas relações em cada um desses casos separadamente.

Teorema 2.9 (Lei da Probabilidade Total).

Sejam A,B1,B2,B3,…A,B_{1},B_{2},B_{3},\dots eventos aleatórios em (Ω,ℱ,ℙ)(\Omega,\mathcal{F},\mathbb{P}) tais que B1,B2,B3,…B_{1},B_{2},B_{3},\dots formam uma partição de Ω\Omega. Então,

ℙ⁢(A)=∑j=1∞ℙ⁢(Bj)⁢ℙ⁢(A|Bj).\mathbb{P}(A)=\sum_{j=1}^{\infty}\mathbb{P}(B_{j})\mathbb{P}(A|B_{j}).
Demonstração.

Usando a Regra do Produto,

ℙ⁢(A)=ℙ⁢(∪j=1∞(A∩Bj))=∑j=1∞ℙ⁢(A∩Bj)=∑j=1∞ℙ⁢(Bj)⁢ℙ⁢(A|Bj).\mathbb{P}(A)=\mathbb{P}\big{(}\cup_{j=1}^{\infty}(A\cap B_{j})\big{)}=\sum_{j% =1}^{\infty}\mathbb{P}(A\cap B_{j})=\sum_{j=1}^{\infty}\mathbb{P}(B_{j})% \mathbb{P}(A|B_{j}).

A primeira igualdade vale porque A=A∩(∪j=1∞Bj)=∪j=1∞(A∩Bj)A=A\cap(\cup_{j=1}^{\infty}B_{j})=\cup_{j=1}^{\infty}(A\cap B_{j}). Na segunda igualdade usamos que esses eventos são disjuntos. Na última igualdade usamos a Regra do Produto. ∎

A Lei da Probabilidade Total é particularmente útil quando um experimento tem duas etapas, e é possível expressar as probabilidades condicionais de determinado aspecto da etapa final dados os possíveis resultados da etapa inicial.

Exemplo 2.10.

Um armário tem duas gavetas, AA e BB. A gaveta AA tem 2 meias azuis e 3 meias pretas, e a gaveta BB tem 3 meias azuis e 3 meias vermelhas. Abre-se uma gaveta ao acaso e retira-se uma meia ao acaso da gaveta escolhida. Qual é a probabilidade de a meia escolhida ser azul? Para a solução, comecemos observando os valores conhecidos de probabilidade: ℙ⁢(A)=ℙ⁢(B)=12\mathbb{P}(A)=\mathbb{P}(B)=\frac{1}{2}, ℙ⁢(azul|A)=25\mathbb{P}(\text{azul}|A)=\frac{2}{5} e ℙ⁢(azul|B)=36\mathbb{P}(\mbox{azul}|B)=\frac{3}{6}. Assim,

ℙ⁢(azul)=ℙ⁢(A)⁢ℙ⁢(azul|A)+ℙ⁢(B)⁢ℙ⁢(azul|B)=12⁢25+12⁢36=920.∎\mathbb{P}(\text{azul})=\mathbb{P}(A)\mathbb{P}(\mbox{azul}|A)+\mathbb{P}(B)% \mathbb{P}(\mbox{azul}|B)=\frac{1}{2}\,\frac{2}{5}+\frac{1}{2}\,\frac{3}{6}=% \frac{9}{20}.\qed

2.1.3 Fórmula de Bayes

A Fórmula de Bayes

ℙ⁢(B|A)=ℙ⁢(A|B)ℙ⁢(A)⋅ℙ⁢(B),\mathbb{P}(B|A)=\frac{\mathbb{P}(A|B)}{\mathbb{P}(A)}\cdot\mathbb{P}(B),

cuja demonstração é imediata, na verdade reflete uma forma de raciocinar extremamente profunda. Estamos interessados na chance de ocorrência do evento BB, quando, na verdade, temos acesso à ocorrência ou não do evento AA. Antes de se observar a ocorrência de AA ou AcA^{c}, a chance de ocorrência de BB, chamada de probabilidade a priori, é simplesmente ℙ⁢(B)\mathbb{P}(B). Uma vez observada a ocorrência de AA ou AcA^{c}, procedemos a atualizar a chance do evento BB, multiplicando-a pelo fator de Bayes, dado pela razão entre a probabilidade de se observar AA (ou AcA^{c}) no cenário em que BB ocorre e a probabilidade de se observar AA (ou AcA^{c}) em geral. O produto entre a probabilidade a priori e o fator de Bayes resulta no que chamamos de probabilidade a posteriori.

Claro que, usando essa fórmula, precisamos saber ℙ⁢(A|B)\mathbb{P}(A|B) para calcular ℙ⁢(B|A)\mathbb{P}(B|A), mas em muitas situações aquela é mais fácil de calcular do que esta. Entre os exemplos mais simples, estão os experimentos em várias etapas em que observamos apenas o resultado final e queremos estimar as chances de distintas possibilidades nas etapas iniciais. Ou seja, quando queremos determinar a probabilidade condicional de eventos que precedem aquele efetivamente observado.

Exemplo 2.11.

Continuando o Exemplo 2.8, se selecionamos uma criança de olhos escuros ao acaso, qual a probabilidade de que o pai tenha olhos claros? Tomando A=A= “a criança tem olhos claros”, B=B= “o pai tem olhos claros”, e D=D= “o pai transmite o gene de olhos claros”, temos

ℙ⁢(A|B)=ℙ⁢(A|D∩B)=ℙ⁢(A|D)≈0,30\mathbb{P}(A|B)=\mathbb{P}(A|D\cap B)=\mathbb{P}(A|D)\approx 0{,}30

que representam a chance de a mãe também transmitir o gene de olhos claros. Pela Fórmula de Bayes,

ℙ⁢(B|Ac)=ℙ⁢(Ac|B)ℙ⁢(Ac)⁢ℙ⁢(B)≈0,700,910⋅0,090≈0,77⋅0,090≈0,069,\mathbb{P}(B|A^{c})=\frac{\mathbb{P}(A^{c}|B)}{\mathbb{P}(A^{c})}\mathbb{P}(B)% \approx\frac{0{,}70}{0{,}910}\cdot 0{,}090\approx 0{,}77\cdot 0{,}090\approx 0% {,}069,

com dois algarismos significativos. O valor 0,0900{,}090 é a probabilidade a priori de que o pai de uma criança selecionada ao acaso tenha olhos claros. O fator de Bayes resultante da observação de que a criança tem olhos escuros é 0,770{,}77, que, por ser menor que 11, reduz a probabilidade a posteriori para 0,0690{,}069. ∎

Um uso particular da Fórmula de Bayes é quando conhecemos as probabilidades de uma sequência dos eventos BjB_{j} que particionam Ω\Omega e as probabilidades condicionais de um evento AA dados os eventos dessa partição. Neste caso, podemos calcular as probabilidades condicionais de ocorrência de cada BjB_{j} sabendo-se da ocorrência ou não do evento AA, pela fórmula

ℙ⁢(Bj|A)=ℙ⁢(A|Bj)ℙ⁢(A)⋅ℙ⁢(Bj).\mathbb{P}(B_{j}|A)=\frac{\mathbb{P}(A|B_{j})}{\mathbb{P}(A)}\cdot\mathbb{P}(B% _{j}).

Os valores originais ℙ⁢(Bj)\mathbb{P}(B_{j}) são as probabilidades a priori dos eventos BjB_{j}, e os valores ℙ⁢(Bj|A)\mathbb{P}(B_{j}|A) são as probabilidades a posteriori desses eventos. Como estamos supondo que é possível calcular ℙ⁢(Bk)\mathbb{P}(B_{k}) e ℙ⁢(A|Bk)\mathbb{P}(A|B_{k}) para todo kk, muitas vezes o denominador na Fórmula de Bayes será calculado pela Lei da Probabilidade Total, dando origem à fórmula

ℙ⁢(Bj|A)=ℙ⁢(Bj)⁢ℙ⁢(A|Bj)∑kℙ⁢(Bk)⁢ℙ⁢(A|Bk).\mathbb{P}(B_{j}|A)=\frac{\mathbb{P}(B_{j})\mathbb{P}(A|B_{j})}{\sum_{k}% \mathbb{P}(B_{k})\mathbb{P}(A|B_{k})}.
Exemplo 2.12.

No Exemplo 2.10, sabendo-se que uma meia azul foi retirada, qual é a probabilidade de ter sido aberta a gaveta AA? Pela Fórmula de Bayes,

ℙ⁢(A|azul)=ℙ⁢(A)⁢ℙ⁢(azul|A)ℙ⁢(A)⁢ℙ⁢(azul|A)+ℙ⁢(B)⁢ℙ⁢(azul|B)=1512⁢25+12⁢36=49.∎\mathbb{P}(A|\text{azul})=\frac{\mathbb{P}(A)\mathbb{P}(\text{azul}|A)}{% \mathbb{P}(A)\mathbb{P}(\mbox{azul}|A)+\mathbb{P}(B)\mathbb{P}(\mbox{azul}|B)}% =\frac{\frac{1}{5}}{\ \frac{1}{2}\,\frac{2}{5}+\frac{1}{2}\,\frac{3}{6}\ }=% \frac{4}{9}.\qed