C.1 Reta estendida

Definimos o conjunto dos números reais estendidos, denotado por [−∞,+∞][-\infty,+\infty], agregando-se os símbolos +∞+\infty e −∞-\infty ao conjunto ℝ\mathbb{R}. Salientamos que os símbolos +∞+\infty e −∞-\infty não são números reais. Às vezes, escrevemos ∞\infty no lugar de +∞+\infty.

Adotaremos as seguintes convenções:

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    Declaramos que −∞<+∞-\infty<+\infty e −∞<c<+∞-\infty<c<+\infty para todo c∈ℝc\in\mathbb{R}.

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    Deixamos sem definir (+∞)+(−∞)(+\infty)+(-\infty), que chamamos “∞−∞\infty-\infty”.

    Atentemos para que tudo o que escrevamos não contenha ∞−∞\infty-\infty.

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    Também deixamos sem definir z±∞\frac{z}{\pm\infty}, qualquer que seja z∈[−∞,+∞]z\in[-\infty,+\infty].

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    Definimos 0⋅(±∞)=00\cdot(\pm\infty)=0.

    No Cálculo, 0⋅(±∞)0\cdot(\pm\infty) era considerada uma forma indeterminada, mas em Teoria da Medida e Teoria da Probabilidade, essa definição é muito conveniente e faz sentido. Por exemplo, a área de um retângulo de largura zero e altura infinita é igual a zero.

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    Definimos (+∞)+(+∞)=+∞(+\infty)+(+\infty)=+\infty, (−∞)+(−∞)=−∞(-\infty)+(-\infty)=-\infty, (+∞)⋅(±∞)=±∞(+\infty)\cdot(\pm\infty)=\pm\infty, (−∞)⋅(±∞)=∓∞(-\infty)\cdot(\pm\infty)=\mp\infty, −(−∞)=+∞-(-\infty)=+\infty, |±∞|=+∞|\pm\infty|=+\infty. Ademais, c+(±∞)=±∞c+(\pm\infty)=\pm\infty para todo c∈ℝc\in\mathbb{R} e a⋅(±∞)=±∞a\cdot(\pm\infty)=\pm\infty para todo a>0a>0.

Estas convenções fazem com que a soma e produto em [−∞,+∞][-\infty,+\infty] sejam operações comutativas, distributivas e associativas sempre que bem definidas, ou seja, exceto pela restrição do ∞−∞\infty-\infty.

Observe que algumas propriedades, antes válidas para números reais, agora exigem maior escrutínio. Mais precisamente, para x,y,z∈[−∞,+∞]x,y,z\in[-\infty,+\infty], a relação x+z=y+zx+z=y+z não necessariamente implica que x=yx=y, pois não podemos subtrair zz de ambos os lados de uma igualdade antes de verificar que |z|<∞|z|<\infty. Da mesma forma, x<yx<y não implica que x+z<y+zx+z<y+z.

Com a definição 0⋅(±∞)=00\cdot(\pm\infty)=0 ao invés da forma indeterminada, não podemos dizer que limn(an⁢bn)=(limnan)⁢(limnbn)\lim_{n}(a_{n}b_{n})=(\lim_{n}a_{n})(\lim_{n}b_{n}) mesmo que os limites existam em [−∞,+∞][-\infty,+\infty], pois a igualdade pode falhar em exemplos como an=na_{n}=n e bn=1nb_{n}=\frac{1}{n}. Entretanto, vale essa igualdade se as sequências são não-negativas e não-decrescentes.

Apesar do problema acima, limites funcionam bem com a soma, como em

limn→∞(2+n2)=limn→∞2+limn→∞n2=2+(+∞)=+∞.\lim_{n\to\infty}(2+n^{2})=\lim_{n\to\infty}2+\lim_{n\to\infty}n^{2}=2+(+% \infty)=+\infty.

O mais importante é lembrar que sempre teremos problema se encontrarmos ∞−∞\infty-\infty.