A ATUALIDADE DO LIVRO A FILOSOFIA DA LIBERDADE DE RUDOLF STEINER

AVALIAÇÕES DE PARTICIPANTES

Valdemar W. Setzer
Departamento de Ciência da Computação, IME-USP
www.ime.usp.br/~vwsetzer (endereço de e-mail no topo)
Esta versão: 17/1/25 - 2

Nesta página encontram-se todas as transcrições de avaliações de participantes desta palestra, conforme escreveram no formulário eletrônico de avaliação, literalmente copiados e colados aqui, com os seguintes itens: [1] Coisa mais importante aprendida; [2] Maior dúvida que ficou; [3] Comentários. [4] Grau de satisfação (1 a 5). [5] Aprendi coisas novas (SI – sim, interessantes; SNI – sim, mas não foram interessantes; N – não aprendi nada de novo). Meus comentários são marcados com RESP. Ver o resumo da palestra e sua apresentação em ppt; ver o formulário de avaliação, onde podem ser inseridos comentários para discussão, pois serão copiados e respondidos abaixo; ver também a lista de palestras dadas e programadas se tiver interesse em assistir outras palestras minhas.

2. 16/12/25 palestra remota pelo jitsi para o Grupo de Estudos sobre a Abordagem da Natureza pela Complexidade, e convidados. Info: profs. Carlos e Alaíde Mammana, da UNICAMP, projtudojuntoetos aa abinfo pt org dot br. Estatísticas: [4] 4: 28,5%; 5: 71,4%. [5] SI: 100%.

  1. [1] Unidade do objeto com sua ideia, e o estado da exceção. [2] Sobre o acesso às ideias. Se definimos o OBJETO REAL com sua aparência, mais a ideia subjacente, como acessamos novas ideias? Nossa criação de novos objetos (que terão novos conceitos e ideias) está limitada de alguma forma? Podemos "criar" uma nova ideia, então torná-la um objeto? Seria uma meta arte? Acabei fazendo esta pergunta ONLINE ainda! Obrigado [3] Motivo de não ser 5, não seria por algo que foge do seminário em si, pois o assunto do livro me parece denso e necessitaria talvez mais tempo. Como você disse, foi bem corajoso em fazer essa viagem pelo livro nesse tempo. Posso dizer que seu objetivo de estimular o estudo do livro foi cumprido, gerando o desejo de lê lo novamente! [4] 4. [5] SI. RESP.: Acho importante se reconhecer que em qualquer objeto existe algo subjacente, que é a sua ideia. Espero ter demonstrado isso com o exemplo do 2. Em segundo lugar, como mostrei nesse caso, a ideia não é algo físico. Só isso já deveria mostrar que existe um mundo espiritual e, como usamos nosso pensar para atingir as ideias, ele também não é físico. A propósito, Steiner diz em outra obra que o cérebro é fundamental, pois reflete nossas atividades mentais para nossa consciência. Por isso uma lesão cerebral pode provocar a perda de alguma atividade mental, ou melhor, de sua consciência (e controle quando se trata do pensar). A criação de novos objetos está limitada pelo mundo físico. Mas nosso pensar e, portanto, nosso conhecimento, não têm limites, ao contrário do que Kant formulou. A questão de o ser humano poder criar novas ideias ou elas já existirem antes de serem captadas, é uma questão milenar. Por exemplo, novas ideias matemáticas são inventadas ou descobertas? Minha tendência é achar que o ser humano é capaz de introduzir novas ideias no Mundo Platônico das Ideias (mundo espiritual). Com isso, dou mais dignidade e responsabilidade ao ser humano (pois podemos introduzir ideias contrárias ao necessário desenvolvimento da humanidade). Em termos de objetos, uso como exemplo o zíper: parece-me que não há nada semelhante na natureza, que pudesse ser imitado, foi uma ideia totalmente nova gerando novos objetos e as ideias correspondentes. Uma obra literária ou filosófica, quando traz novas ideias, introduzem essas ideias no mundo espiritual. Depois disso outras pessoas podem captá-las. Isso explica porque certas ideias aparecem aparentemente simultaneamente em pessoas que não trocaram essas ideias. Um exemplo disso é a teoria da seleção natural, introduzida por Darwin e Russel Wallace, que eram antípodas. Para ler o livro, recomendo usar como guia o capítulo "O essencial de A fisolofia da liberdade" do livro de Frederick Amrine Deixando a escada para trás; como fiz a tradução, inseri esse capítulo em meu site:
    www.ime.usp.br/~vwsetzer/Amrine-essencial-da-FidaLi.pdf
  2. [1] O senso de Liberdade. [2] Como estes preceitos sejam difundidos no mundo de hoje? [3] {Vazio} [4] 4. [5] SI. RESP.: Sim, é fundamental se vivenciar que se pode ter liberdade no pensar. Se isso é reconhecido por uma pessoa, ela necessariamente não pode ser materialista, pois a matéria é inexoravelmente sujeita às "leis" e condições do mundo físico; dela não pode advir liberdade. Não tenho esperança de uma grande difusão, pois a quase totalidade da humanidade é materialista (inclusive pessoas que se acham religiosas, pois para elas o espírito é mera abstração), e o livro é espiritualista; aliás, a obra posterior do Steiner é toda profundamente espiritualista, muito mais do que o livro. As pessoas estão tão apegadas ao materialismo, especialmente à maneira de pensar apenas fisicamente, que têm medo do espiritualismo. Com razão, pois olham para as religiões e pensam: "Isso não me satisfaz". Acontece que existem correntes espiritualistas que não são religiosas (por exemplo, não têm cultos, não impõem mandamentos etc.). O destino de cada pessoa deve levá-la a encontrar uma espiritualidade moderna. Ela apenas necessita estar aberta e não ter ideias preconcebidas. Será que vocês terão essa abertura, se é que não já a têm? O seu destino colocou-as/os na palestra de ontem. O que farão com isso depende de sua liberdade.
  3. [1] Viver no amor pela ação e deixar o outro viver com compreensão pelo querer alheio. [2] Várias, tenho que ler o livro, pois não conhecia o autor. [3] Fantástico, muito obrigado por provocar nosso pensamento. [4] 5. [5] SI. RESP.: Sim, como eu citei, a fraze "Viver no amor pela ação..." deveria ser, segundo Steiner, a diretiva fundamental do ser humano livre. Para ler o livro, veja a minha recomendação na avaliação 1 acima.
  4. [1] O que é um ser humano livre. Refletir sobre a liberdade de pensar. A importância em se preservar o pensar livre e também em respeitar o pensar alheio, para se haver a liberdade de pensamento. [2] Muitas reflexões sobre o pensar e a consciência coletiva. Onde fica a consciência. [3] Pensar é: a linha da consciência individual em contínua evolução compondo seu estado com as comparações da memória analisando as possibilidades que consideramos escolher para usar nossas ações/motoras ou virtuais/conclusões mentais nas decisões que tomamos. [4] 5. [5] SI. RESP.: No cap IV "O mundo como percepção" Steiner escreveu: "A consciência humana é o palco onde o conceito [ideia, para mim] e a observação se encontram e são conectados entre si. Com isto, porém, é caracterizada ao mesmo tempo essa consciência (humana). Ela é a mediadora entre o pensar e a observação." A propósito, animais também têm consciência: se um animal se machuca, ele sente dor; isso é ter consciência (uma dor é ter consciência em um local do corpo que normalmente é inconsciente). Mas só o ser humano tem autoconsciência, por exemplo provocando uma lembrança, reconhecendo seu próprio corpo ou pensando no que sente etc. Steiner foi o único em sua época a fazer um tratado sobre o pensar. No livro, ele chama a atenção, por exemplo no cap. IV "O mundo como percepção": "Faço esta observação [sobre o pensar] aqui expressamente, pois nela reside minha diferença com Hegel. Ele coloca o conceito em primeiro lugar e como algo primordial." Parece-me que apenas os seguidores de Steiner (como euzinho aqui...) dão essa importância primordial ao pensar e levaram as ideias dele para a frente. Sim, a consciência individual evoluiu durante a história, e evolui durante cada vida. Steinter escreveu um extenso livro traçando a história da filosofia comforme o desenvolvimento da consciência, é o volume GA (obra completa) 18, Die Rätsel der Philosophie, na íntegra em inglês em
    https://rsarchive.org/Books/GA018/
    Um ser humano leva 21 anos mais ou menos para adquirir plena autoconsciência – daí a antiga sabedoria intuitiva ter especificado essa idade como a da maioridade civil. Aliás, essa é uma das grandes distinções do ser humano em relação aos animais, que se desenvolvem rapidamente: um patinho nasce e já vai nadar, um potrinho nasce e em poucas horas se põe de pé. Com isso, o animal se especializa. O ser humano nasce com características embrionárias (neotenia) e as conserva a vida a toda (vejam-se as próprias mãos, como são parecidas com a forma ao nascer), e com isso pode especializar-se em várias ações, como por exemplo tocar bem um instrumento musical.
  5. [1] A independência do pensamento pode caracterizar o ser humano como único. [2] A correlação entre pensar e consciência. O ser humano se vê e interpreta o seu ambiente. Como ocorre esta conexão dita espiritual. [3] A Física não sabe o que é sua matéria em estado natural. "Eppur si muove". A capacidade de compreender e interagir nos leva a capacidades que fogem à lógica dos algoritmos. Parar para pensar é um hábito. Ter consciência do pensamento exige sair do automático. [4] 5. [5] SI. RESP.: Animais não pensam; é um erro de observação afirmar o contrário. Se pensassem, as abelhas tentariam colmeias com outras formas que não a hexagonal. O João de Barro tentaria fazer ninhos com galhinhos, talvez com menos trabalho etc. A frase do Galileu foi devida ao fato de ele ter certeza de que a ideia da Terra girar em torno de seu eixo era a correta. Quanto a algoritmos, acho que somente cientistas da computação sabem o que eles são: descrições matemáticas de passos matematicamente bem definidos que transformam variáveis numéricas, e que terminam sua execução para quaisquer dados de entrada. Há uma grande confusão entre algoritmo e programa de computador, como por exemplo nos livros de Yuval Harari. É fundamental se saber que nossas sensações e sentimentos jamais vão poder ser descritas por algoritmos, pois estes são objetivos e universais, e as primeiras são subjetivas e individuais, como mostrei no exemplo de se comer um caqui.
  6. [1] O mais importante foi compreender que a Filosofia da Liberdade, Rudolf Steiner defende que o ser humano é verdadeiramente livre quando: conhece o mundo por meio do pensamento ativo; supera condicionamentos externos e internos; age a partir de intuições morais conscientes. [2] É como colocar em prática o aprendizado. Estou realmente agindo livremente ou apenas racionalizando meus impulsos? Como diferenciar intuição moral de emoção ou desejo? [3] Tem algum tempo que tenho estudado Física Quântica, Metafísica, Kant, Espinosa para compreender melhor sobre espiritualidade. Ainda tenho muito a aprender e com a palestra ampliou minha cosmovisão. [4] 5. [5] SI. RESP.: Conhecer o mundo não significa ser livre, pois o mundo nos impõe o que vamos perceber sensorialmente e que captemos as ideias subjacentes aos objetos, que existem por si. O resto está ótimo. Para colocar em prática, uma das coisas é autoeducar-se para ter mais consciência nos próprios atos. O movimento Mindfulness ajuda muito nesse sentido: prestar atenção em tudo o que se passa no mundo. Por exemplo, ao abrir uma torneira, sentir o frio do metal, o esforço para girar a maçaneta, o ruído da água caindo e a forma desta etc. É também importante reservar em cada dia momentos para fazer uma concentração mental. Steiner chama a atenção de que somente nos exercícios de concentração mental, com um pensamento ativo (como no exemplo que dei, do mostrador com números), elaborando algum tema, é que se é realmente livre, pois não há nada que imponha que se faça esse exercício. Note que aqui não se trata de esvaziar o pensamento ou se concentrar na respiração, como proposto por várias técnicas, pois no primeiro caso se está eliminando o pensar ativo, cuja capacidade a humanidade mais desenvolveu. Ao se concentrar na respiração, não se está abandonando o mundo físico, continua-se preso a ele. Sobre aprender, tenho um lema: quem deixa de aprender está esperando morrer (mmm, vou colocar isso na minha página com minhas "leis").
  7. [1] A filosofia da Liberdade. [2] Fiquei na dúvida se Steiner está ainda considerado um filósofo estudado no curso de filosofia e suas obras reverberam em outros filósofos modernos. [3] Profunda admiração pelo professor Setzel. Parabéns. [4] 5. [5] SI. RESP.: Steiner é em geral radicalmente ignorado nos meios acadêmicos pois os intelectuais em geral são materialistas. Também em geral têm medo dequalquer ideia espiritualista e a rejeitam, chegando mesmo a ridicularizá-la. Infelizmente não sabem que ela pode ser conceitual, dirigida para a compreensão, preservando totalmente a liberdade individual e aumentando enormemente a compreensão que se tem da vida, da história, e dando uma missão para a existência humana, impossivel de se ter de um ponto de vista materialista. A propósito, se o nascimento e a morte são acasos, a vida é um acaso sem sentido.

1. 5/12/25 palestra remota nos Seminários de Estudos em Epistemologia e Didática (SEED)/Seminários de Ensino de Matemática (SEMA) da Faculdade de Educação da USP (FEUSP). Info: prof. Nilson J. Machado njtudojuntomachad arrob usp pt br e Marisa Ortegoza da Cunha marisa pt ortegoza no gmail pt com

  1. [1] a realidade é sempre controversa, nunca linear. [2] muitas, nem sei expressar! [3] Como o Nilson falou, abrir mais aos trabalhos de Rudolf Steiner. [4] 3. [5] SI. RESP.: Em minha opinião, Steiner resolveu a questão da realidade, com seu monismo do pensamento. Mas para admitir a sua teoria, e vivenciá-la na prática, é necessário ter um pré-requisito fundamental: ter abertura para coisas espirituais. Um materialista que não pode admitir que existe algo no ser humano e no universo que não seja físico, não consegue absorver o que ele transmitiu, seja nesse livro como em toda a sua imensa obra posterior. Quanto a eu não ter usado muito o livro (não era a intenção citar outras obras, citei apenas de pessagem algo delas), contei 31 citações literais do livro, inclusive dos últimos slides que eu não mostrei por falta de tempo. Acho fundamental você e participantes estudarem a apresentação (é só usar o endereço que está no cabeçalho desta página). Interessante seu grau de satisfação 3. Raramente em minhas palestras eu recebo avaliação desse item que não seja 5, como pode ser visto em avaliações de outras palestras em meu site. ava
  2. [1] Unidade do objeto com sua ideia, e o estado da exceção. [2] Sobre o acesso as ideias.
    Se definimos OBJETO REAL com sua aparência mais a ideia subjacente, Como acessamos novas ideias? Nossa criação de novos objetos (que terão novos conceitos e ideias) está limitada de alguma forma? Podemos "criar" uma nova ideia e então torna-la um objeto? Seria uma meta-arte? Acabei fazendo essa pergunta ONLINE ainda! Obrigado. [3] Motivo de nao ser 5, não seria por algo que foge do seminario em si, pois o assunto do livro me parece denso e necessitaria talvez mais tempo. Como voce disse, foi bem corajoso em fazer essa viagem pelo livro nesse tempo. Posso dizer que seu objetivo de estimular o estudo do livro foi cumprido, gerando o desejo de le-lo novamente! [4] 4. [5] SI. RESP.: Acessamos ideias com nosso pensar. Como eu disse, sobre o problema milenar de o ser humano ser ou não capaz de introduzir novas (foi a palavra que você usou) ideias no mundo platônico das ideias, acho que sim, o ser humano é capaz de criar novas ideias, e dei como exemplos o zipper e o computador digital. Mas podem ser ideias que não têm nada que ver com objetos físicos. Por exemplo, a análise que Steiner fez do pensar contém várias ideias novas, que não existiam antes. Sei que alhures ele diz que o pensar sempre reflete o passado, mas ainda assim, como eu disse, para aumentar a dignidade humana, acho que o ser humano pode criar novas ideias. Não coloquei na apresentação, pois já estar grande demais, que no livro Steiner afirma que não existem limites para o conhecimento, pois o mundo das ideias não é limitado. Aliás, limites (fora da matemática -- veja meu livro sobre o infinito, em meu site) são ideias derivadas do mundo físico! Se você ficou com o impulso de estudar (não se trata de simplesmente ler!) o livro novamente, recomendo fortemente você se inscrever o "Ano de Treinamento" em
    https://philosophie-der-freiheit.de/
    Note que no menu superior à direita está "German". Clicando nisso, aparece a opção Portugués com minhas traduções desta e outras páginas do programa. Se você se inscrever, poderá receber as fichas virtuais traduzidas, com o essencial do livro, para estudo. Atualmente estamos na 6ª semana das fichas. Outra possibilidade é usar como guia o capítulo com excertos do livro, na obra de Frederick Amrine Deixando a escada para trás, em minha tradução.
  3. [1] A realidade é sempre controversa, nunca linear. [2] Muitas, nem sei expressar! [3] Como o Nilson falou, abrir mais aos trabalhos de Rudolf Steiner.[4] 3. [5] SI. RESP.: Eu quis expor o trabalho filosófico mais importante do Steiner, que pode interessar qualquer pessoa. Não acho que haveria ambiente para eu expor os trabalhos com conteúdo esotérico. O resultado poderia ser o contrário do esperado: uma rejeição que impediria as pessoas de se interessarem pela consmovisão espiritualista que ele introduziu.