|
A ATUALIDADE DO LIVRO DE RUDOLF STEINER Uma palestra de Valdemar W. Setzer www.ime.usp.br/~vwsetzer R E S U M O Esse livro (GA catálogo da obra completa Nº 4) de Rudolf Steiner (1861-1925) é o pináculo de sua fase filosófica, que tinha iniciado com o livro A obra científica de Goethe (GA 1), ambos traduzidos, e a publicação de sua tese de doutorado sobre teoria do conhecimento. Na segunda edição de 1918, ele apenas acrescentou mais notas no fim dos capítulos, comentando críticas ao livro. Sua obra consta de 350 volumes (até o GA 341), com 50 de seus livros e escritos, e transcrições de mais de 6.000 palestras sobre os mais variados assuntos, incluindo várias aplicações sociais práticas. Ele declarou que, à medida em que o ser humano fosse mudando no futuro, a antroposofia, a cosmovisão introduzida por ele, teria que ser transmitida de outra forma, mas o que sobraria de sua obra seria justamente o livro A filosofia da liberdade. Nesta palestra serão abordados apenas alguns tópicos essenciais do livro. Inicialmente, Steiner refuta visões de mundo que negam a existência do livre arbítrio. Em seguida, expõe e critica várias visões do que seria a realidade, e examina o processo cognitivo, constando de percepção sensorial, representação mental (imagem interior) e acesso à ideia subjacente aos objetos. Em uma extensão do livro, a palestra mostra que ideias não podem ser representadas simbólica ou fisicamente, e é feita uma clara distinção entre ideia e conceito, sendo este último a expressão simbólica de uma ideia. Esses passos são todos feitos pelo pensar, que é caracterizado na palestra por meio de suas funcionalidades. O livro introduz uma filosofia do pensar, que Steiner mostra ser uma cosmovisão monista. O livro apela para que o leitor vivencie o que é descrito, o que significa uma extensão do método científico: se todas as pessoas têm uma mesma vivência interior, ela adquire um caráter objetivo e universal. A palestra também apresenta uma outra adição ao livro: um exercício de concentração mental que também é um teste da capacidade dessa atividade interior, e que serve para se vivenciar que se pode ter liberdade no querer (vontade), usando-se o pensar como instrumento. Será visto que uma ação só pode ser livre se não é imposta por nenhuma imposição interna, como instintos ou sentimentos, e nenhuma imposição externa, como seguir regras e leis sociais, ou mesmo costumes, como queria Kant em seu "imperativo categórico". Uma ação realmente moral só pode advir de um ato realizado em plena liberdade. Apenas aparentemente, esse individualismo poderia levar a um caos social. Por falta de tempo, não é abordado o que é sentir,
sua importância fundamental para o ser humano, e sua distinção
essencial em relação ao pensar e ao querer, mas isso poderá
ser feito durante a fase posterior de perguntas. |