"Leis" e aforismos de Setzer

Valdemar W. Setzer
www.ime.usp.br/~vwsetzer
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Número de itens (incluindo corolários e excluindo comentários): 77
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Índice

Computadores e computação
Meios eletrônicos
Ciênca, tecnologia
Educação
Humanidade, sociedade
Espiritualidade

Computadores e computação

  • Com o computador é possível fazer coisas mal feitas (programas, sistemas) que funcionam.
    Comparação.
    Tente-se fazer algo mal feito com um torno, para se ver se funciona.

  • Para se desenvolver um programa ou um sistema bem feito e bem documentado, é necessário despender 10 vezes mais tempo e o custo será 10 vezes maior.
    Corolário. Se uma empresa participar de uma licitação e honestamente cotar um sistema bem feito, vai perdê-la.

  • A origem dos problemas de um programa que não funciona é que ele foi programado.
    Corolário. Use somente geradores de aplicações.

  • No desenvolvimento de um sistema computacional, quanto mais se planeja, menos se programa.

  • Em processamento de dados, sempre que se reinventa a roda ela sai quadrada.
    Exemplos clássicos. OSs dos velhos IBM /360, /370, etc.; MS DOS, Windows; a linguagem C, UML (quanto à modelagem de dados).

  • Somente idiotas necessitam de uma definição de inteligência.
    Corolário. Computadores são idiotas.

  • Se um produto de processamento de dados é bem aceito pelo mercado, certamente poderia ser muito melhor no estado da arte de sua área.

  • Um programa que simula algum comportamento humano demonstra uma maneira como o ser humano não "funciona".

  • Um computador (ou qualquer outro tipo de máquina) só deveria substituir o trabalho de um ser humano quando esse trabalho degrada-o, e não deve substituir o trabalho que o eleva.
    Restrição. O citado trabalho deve ser substituído somente se a pessoa substituída puder exercer algum outro trabalho menos degradante.
    Problema. Caracterizar adequadamente o que significa "degradar" e "elevar" o ser humano.
    Comentário. "A educação é a atividade que mais eleva o ser humano" (Ruy Barbosa).
    Corolário.
    o computador não deve substituir o professor, nem mesmo parcialmente.


  • Para ser atrativo , o computador deve apresentar tudo sob forma de show ou de jogo eletrônico.
    (Inspirada em "Para ser atrativa, a TV tem que transmitir tudo sob forma de show" – Neil Postman, em Amusing Ourselves to Death.)

  • Computadores induzem indisciplina.
    Comentário. Trata-se da indisciplina da pior espécie, a mental.
    Exemplos. A maneira como, em geral, trabalham os programadores (visível na quase totalidade dos programas, pois neles se encontram falta de documentação, ou documentação inadequada ou obsoleta), e como textos são digitados usando-se um editor de textos (compare-se com a enorme disciplina interior exigida quando se escreve a mão, sem corrigir).

  • Atividade artística é o melhor antídoto para o pensamento computacional
    Corolário. Programadores ou pessoas infelizmente obrigados a trabalhar horas seguidas, todos os dias, com um computador, deveriam praticar alguma atividade artística.
    Comentário. Ver o meu artigo "Um antídoto contra o pensamento computacional".

  • Xadrez é um jogo idiota, pois até computadores jogam-no bem.
    Comentário. Atenção enxadristas, isso é uma piadinha!

  • (Autoparáfrase da semelhante na seção Educação) A medicina está tão ruim, mas tão ruim, que até computador diagnostica e receita melhor.
    Comentário. Este é mais um passo na perda da individualidade e da ação individual

Meios eletrônicos

  • Telespectador é uma pessoa que sabe cada vez menos sobre cada vez mais até saber nada sobre tudo.
    Comentário.
    inspirada em "Especialista é uma pessoa que sabe cada vez mais sobre cada vez menos, até saber tudo sobre nada", atribuída a G.B. Shaw.

  • A TV anestesiou o tédio.
    Comentário.
    Inspirada em Tio Vánia, de Tchiékhov

  • Quem é a favor do uso de meios eletrônicos por crianças e adolescentes simplesmente não conhece a literatura científica que mostra os seus enormes efeitos negativos, especialmente naquelas idades.
    Comentário 1. Ver, por exemplo, meu artigo "Os efeitos negativos dos meios eletrônicos em crianças, adolescentes e adultos", onde há a citação de mais de 100 artigos científicos.
    Comentário 2: Tenho a impressão de que os efeitos negativos dos meios eletrônicos, em qualquer idade, mas principalmente para crianças e adolescentes, ultrapassam infinitamente os poucos benefícios que eles podem trazer.
    Exemplo. Em uma palestra sobre meios eletrônicos (de quase uma centena sobre esse tema), uma pessoa pediu a palavra e disse: "Meu sobrinho aprendeu inglês jogando video games violentos. O leitor deveria imaginar qual foi a minha resposta (deixo uns espaços em branco em seguida):                                          "Será que não há um meio mais sadio de se aprender inglês?"

Ciência, tecnologia

  • A estatística está para a ciência assim como a cirurgia está para a medicina.
    Comentário.
    Uma constata a falência da outra.

  • O darwinismo induz a mentalidade de que os seres humanos são animais; a Inteligência Artificial, de que os seres humanos são máquinas.
    Comentário 1.
    É linguisticamente incorreto dizer que seres humanos são máquinas, pois todas as máquinas foram projetadas e construídas por seres humanos, eventualmente com o auxílio de outras máquinas; nenhum ser humano foi projetado e construído por outro ser humano. A expressão correta é "o ser humano é um sistema puramente físico" (ver o DCCC abaixo).
    Comentário 2. Ser humano é ser humano, e animal é animal; não é por que há certas estruturas e funções em comum entre eles que devem ser identificados, o que degrada a visão que se tem do ser humano. Afinal, ninguém chama os animais de "plantas móveis", por que se haveria de chamar o seres humanos de "animais racionais"?
    Comentário 3. O ser humano tem estruturas e capacidades que nenhum animal tem. Por exemplo, respectivamente, coluna vertebral com um duplo S que permite a postura ereta por longos períodos, pé não chato, abóboda palatina curva que permite falar, lentidão de crescimento em relação ao tempo total de vida, falta de pelo, couro, penas ou escamas, oponência do polegar (pegar com os dedos como pinça), falar, pensar, memória consultável, autoconciência, criatividade.

  • O acaso é uma ilusão física.
    Comentário 1.
    Observando fenômenos físicos e suas causas físicas e/ou não físicas, o acaso desaparece.
    Comentário 2. É possível observar objetivamente fenômenos não físicos por meio de órgãos de percepção suprassensível latentes em todos os seres humanos.
    Exemplos. O pensar, o sentir, o querer, a memória, o sono, o sonho, a consciência, o crescimento em seres vivos, e muitos outros, são fenômenos não fisicos, com consequências físicas. A intuição é uma percepção de algo não físico. Conceitos não são físicos. O pensamento é um órgão de percepção de conceitos (cf. A Filosofia da Liberdade, de Rudolf Steiner).
    Comentário 3. Uma das desculpas para justificar a hipótese da existência do acaso é a impossibilidade de se detectar todas as causas e efeitos físicos devido à complexidade dos sistemas físicos, isto é, o número de variáveis ou fatores envolvidos e as interações entre eles.

  • Examinando-se fisicamente as causas de qualquer fenômeno físico, as causas dessas causas, e assim sucessivamente, sempre se chega a um beco sem saída, isto é, algo para o qual não há explicação.
    Exemplo
    . Isso é absolutamente claro em qualquer fenômeno interno de um ser vivo. Mova-se um braço, e procure-se a sequência de causas físicas que levaram a esse movimento.
    Corolário. Toda teoria física é incompleta.

  • A vivência humana do tempo está para o tempo da Física assim como a vivência humana da matéria está para a matéria elementar da Física: um não tem nada a ver com o outro.
    Justificativa. 1. Temos a vivência precisa do momento presente, que não faz sentido para a Física. Por outro lado, para esta, a "flecha do tempo" só tem algum significado em termos da 2ª lei da termodinâmica, a do aumento da entropia (nunca ninguém viu um leite derramado voltar para a garrafa); no entanto, nossa vivência do passado e do futuro faz uma distinção absoluta entre eles. 2. As "partículas elementares" da Física são totalmente incompreensíveis. Exemplos: o elétron não é uma bolinha e não gira em torno do núcleo, e o spin das partículas atômicas não pode ser compreendido, pois não tem limite clássico, que é o nível da matéria que vivenciamos.
    Corolário. A Física destruiu o conceito de matéria, tanto no nível microsósmico quanto no macrocósmico.
    Comentário. A propósito do nível macrocósmico, as teorias atuais da Física estabelecem que o universo é formado 70% de energia escura (para que a expansão dele seja acelerada) e 25% de matéria escura (para que as galáxias não se desfaçam devido a sua alta rotação).

  • A física não está no negócio de explicar a natureza. Seu negócio é deduzir modelos, fórmulas matemáticas, envolvendo variáveis que assumem grandezas físicas medidas por instrumentos. A partir desses modelos, a outra parte do seu negócio é prever aproximadamente o futuro.
    Comentário.
    Essas variáveis e seus valores não são a natureza; representam uma ínfima sombra desta.
    Exemplo trivial. A fórmula de Newton da força de atração gravitacional de dois corpos f = g*(m1 x m2)/d2 envolve medidas m1 e m2 das massas, d da distância entre os centros de gravidade dos corpos, g da aceleração da gravidade. Ela não explica abolutamente nada sobre a origem da gravitação; ela não explica por que os corpos se atraem. Mas não deixa de ser útil: explica por que as órbitas dos planetas são aproximadamente elipses, permite o projeto de foguetes e satélites etc.

  • Desconfie de qualquer explicação simplista da natureza.
    Comentário.
    Até uma pedra é de uma complexidade infinita; imaginem-se todos os milhões de anos e de processos que foram necessários para formá-la.
    Exemplos. 1) A teoria de que o sangue circula no corpo humano por que é bombeado pelo coração. Imagine-se a potência que essa bomba deveria ter para bombear um fluido viscoso como o sangue por milhares de km de vasos sanguíneos (já ouvi que formam 100.000 km!), sendo que a maior parte é capilar. Não se sabe por que o sangue circula. 2) A ideia de que o átomo é um sistema planetário (átomo de Rutherford, de 1909). O elétron não é uma bolinha e nem circula em torno do núcleo, pois senão, segundo esse modelo da mecânica clássica, irradiaria energia eletromagnética e cairia no núcleo. 3) As marés são devidas à atração gravitacional da Lua e do Sol. Elas são devidas a um sistema enormemente complexo de forças e de movimentos que interagem com as bacias oceânicas, levando a uma situação de ressonância. As marés altas rodam em torno de um ponto sem maré (ponto amfidrômico). 4) A teoria da evolução neodarwinista (mutações genéticas aleatórias mais seleção natural). Estão aparecendo cada vez mais evidências científicas de que mutações levando a novas formas anatômicas viáveis e melhores são fantasticamente improváveis. Por exemplo, apenas um par de mutações nos hominídeos confluindo para uma mudança funcional ocorreria em média em mais de 200 milhões de anos, segundo cálculos recentes.

  • Jamais uma máquina vai ter sentimentos.
    Justificativa. Todas as máquinas são universais; isso é absolutamente claro com as máquinas digitais programáveis: qualquer uma pode simular qualquer outra, dada capacidade suficiente (a Máquina de Turing é uma máquina universal). Todas as máquinas analógicas (como, por exemplo, as geladeiras), também são universais, pois seu projeto e construção são os mesmos para toda uma certa série de máquinas. Por outro lado, sentimentos são absolutamente individuais: ninguém pode sentir o sentimento de outrem (mas podemos pensar o mesmo pensamento, o que é claro no caso dos conceitos matemáticos). Ver a esse respeito meu artigo sobre Inteligência Artificial.

  • Jamais uma máquina vai pensar como o ser humano.
    Justificativa. Qualquer pessoa pode fazer a observação mental de que é capaz de determinar seu próximo pensamento. Para isso, basta, por exemplo, fechar os olhos, produzir uma calma interior e pensar em dois números com os quais não se tem nenhuma associação a algum fato passado (memória) e, em seguida, concentrar a mente num deles. Ora, essa escolha e a concentração mental seguinte é autodeterminação; as máquinas são deterministas ou aleatórias, e portanto não têm autodeterminação. Em outras palavras, qualquer um pode observar, por meio de seu pensamento, que com ele pode exercer o livre arbítrio (na verdade, o livre arbítrio existe na vontade, no caso, as decisões envolvidas); isso significa que o pensamento transcende a matéria, pois esta é sujeita inexoravelmente às leis físicas. Obviamente, um materialista coerente vai dizer que o livre arbítrio é uma ilusão. Felizmente, pouquíssimos deles são coerentes, pois sem liberdade não há nem responsabilidade nem dignidade, e só há egoísmo, que é destrutivo por natureza (ver meu artigo "Consequências do materialismo").

  • Jamais vai se descobrir o código computacional usado pelo cérebro, pois ele não existe.
    Comentário 1. Estou me baseando na evidência pessoal de que temos livre arbítrio no pensar (ver o item anterior), e portanto ele não pode ter origem física.
    Comentário 2. O máximo que se poderia dizer, cientificamente, é que o cérebro participa dos processos mentais. Dizer que ele gera esses processos não tem base em fatos científicos, é mera especulação.
    Comentário 3. Praticamente toda a pesquisa em neurociência hoje em dia parte de um modelo computacional do cérebro, portanto está na direção errada.
    Metáfora. Isso lembra a historinha de um bêbado que estava procurando algo à noite, embaixo de um poste de luz. Passa um guarda e ajuda a procurar alguma coisa, mas logo percebe que não há nada por lá, e pergunta: "– O que o Sr. perdeu?" "– Minhas chaves." "– Mas o Sr. tem certeza que as perdeu aqui?" "– Não, eu as perdi lá, mais adiante." "– Mas então por que está procurando aqui?" "– Uaaaai [devia ser mineirim...], por que lá está escuro e aqui há luz!" É assim que funcionam em geral os cientistas: procuram onde se aplicam suas teorias e onde seus aparelhos conseguem medir algo, e não onde deveriam procurar. E assim jamais vão achar a essência fundamental das coisas.

  • Quando a tecnologia é usada sem consciência, ela adquire autonomia e tende a dominar o ser humano.
    Exemplos.
    TV, pois normalmente ela diminui a consciência do telespectador, devido à avalanche de imagens – não é possível pensar conscientemente em cada imagem vista e a mente tende a "desligar", a "relaxar", o que é comprovado pela diminuição da atividade cerebral. Smartphones e tablets usando a Internet, pois têm um alto risco de provocarem dependência, prejudicam a capacidade de concentração (ver meu artigo "O que a Internet está fazendo com nossas mentes") e rompem relações sociais reais, fora inúmeros outros problemas.

Educação

  • O ensino não é uma ciência, nem uma técnica, indústria ou comércio: é uma arte.
    Comentário.
    Inspirada pela Pedagogia Waldorf.

  • Bom professor é aquele que entusiasma seus alunos pela matéria e, a partir desse entusiasmo, propicia o desenvolvimento adequado e necessário de seus estudantes.
    Corolário. Bom professor é o que não ensina, mas faz o aluno aprender por si.

  • Há duas atitudes básicas do bom professor: amar cada um de seus alunos e compreendê-lo.

  • O ensino está tão ruim, mas tão ruim, que até computador ou ensino a distância (EAD) ensinam melhor.
    Justificativa. Pergunte a tabuada de multiplicar (por exemplo, 5 x 7), para qualquer aluno de ensino público fundamental ou médio. Se ele não souber, o que será, em minha experiência, o caso da grande maioria, segure-se bem e pergunte a tabuada de somar (5 + 7). Se por um milagre o aluno souber as tabuadas, pergunte quanto é 2% de 90. Fiz essa pergunta em 7 palestras em 2011 como "embaixador docente" da USP, falando sobre o vestibular, para alunos de 2o. e 3o. anos do ensino médio; ninguém soube responder. 2% de 90 questões era o bônus mínimo da nota na 1a. fase da FUVEST para quem tinha feito todo o ensino médio em escola pública.
    Comentário. Este é mais um passo na perda da individualidade e da ação individual
    Comentário. Publicado na seção impressa do Fórum dos Leitores do jornal O Estado de São Paulo de 20/4/2011, sem a parte de EAD.

  • Quanto mais tecnológico o ensino, menos humano.
    Comentário.
    O que estamos precisando é de um ensino mais humano, e não mais tecnológico.

Humanidade, sociedade

  • A realidade da miséria que é criada pelo ser humano ultrapassa a imaginação mais pessimista.
    Comentário: Isso é um caso particular da conhecida frase "Na prática a teoria é outra."

  • Não há limite para o fundo do poço em que a humanidade consegue cair.
    Comentário. Inspirada por uma frase do saudoso Dr. Walter Leser, algo como "Uma boa caracterização do infinito é o limite da imbecilidade humana".

  • Errar inconscientemente não diminui o ser humano; o que o diminui é não reconhecer seu erro ou não corrigi-lo e compensá-lo.

  • Qualquer competição é antissocial: o ganhador fica contente às custas da frustração do perdedor.
    Corolário 1. Esportes devem ser praticados (idealmente, diariamente) sem competição.
    Exemplos.
    Jogar peteca em uma rodinha, jogar tênis apenas batendo bola, sem contar pontos, games e sets, jogar futebol misturando as equipes após cada gol etc.
    Corolario 2. Jogos competitivos deveriam ser banidos do lar e da escola, substituídos por jogos cooperativos.
    Comentário
    . Não é preciso ensinar uma criança ou adolescente a ser competitivo; a vida adulta vai ensinar isso quando e enquanto ainda for, infelizmente, necessário. (A educação para a competição está tão enraizada em certos países e na mentalidade das pessoas que provavelmente pouca gente compreenderá estas palavras...)

  • Propaganda é a ciência, a técnica e a arte de influenciar pessoas a fazer aquilo que não fariam sem essa influência.
    Corolário. A propaganda atenta contra a liberdade, isto é, contra a humanidade.
    Comentário
    . O correto é fazer promoção de ideias e de produtos, isto é, mostrar objetivamente suas características e eventual preço.

  • Propaganda subliminar é a propaganda dirigida ao subconsciente, isto é, é registrada por este mas não pelo consciente.
    Corolário. A propaganda atenta contra a humanidade; a propaganda subliminar é criminosa.
    Exemplo.
    A propaganda exibida pelo gmail ao lado da exibição de um e-mail, após analisar o conteúdo deste, para quem não costuma ler essa parte; mas esse é apenas um dos muitos casos da propaganda subliminar da Internet (um outro exemplo: página "modernas", com dezenas de caixas com textos, figuras e animação).
    Comentário. Eu jamais leio essa propaganda do gmail, de modo que ela funciona subliminarmente em mim. O quanto estou sendo inconscientemente influenciado por ela?

  • Não se deve julgar uma pessoa pelo seu ambiente.
    Comentário.
    Inspirado no livro de Randi Crott e Lillian Crott Berthung Erzähl es niemandem! Die Liebesgeschichte meiner Eltern ("Não conte a ninguém! A história de amor de meus pais"), Köln: DuMont 2012. O livro conta a saga da segunda autora, mãe da primeira, que se apaixonou por um soldado alemão durante a invasão nazista da Noruega.

  • Uma atividade que exige excelência e só pode ser feita com sucesso por adolescentes ou jovens adultos não tem substância humana profunda.
    Exemplo. Competições esportivas que exigem força ou destreza.

  • Todas as decisões humanas deveriam ser tomadas levando em conta as condições do momento presente.
    Justificativa
    . O mundo todo e cada pessoa estão em permanente transformação.
    Corolário 1. Todo planejamento deve dar lugar a algum improviso. Em caso contrário, degrada-se a natureza, o ser humano e as instituições a máquinas.
    Corolário 2. Toda aula deve ser parcialmente improvisada.

  • Só há um jeito para o Brasil: começar tudo de novo, de maneira diferente.

  • A humanidade jamais terá feito um passo decisivo no sentido da autoconsciência enquanto os homens usarem gravatas.
    Comentário.
    A gravata é um penduricalho puramente cosmético, sem nenhuma, absolutamente nenhuma utilidade. Acho-a absolutamente ridícula. Curiosamente, tenho essa concepção desde os 14 anos. Atendendo a pedidos de minha esposa, eu a usava em casamentos e enterros. Deixei de fazê-lo há bastante tempo.

  • O tempo está para o espaço assim como a melodia está para o som
    Comentário. Temos a percepção do espaço, mas não temos a percepção do tempo, que deve ser vivenciado. Rudolf Steiner fez uma observação interessante: vivenciamos exteriormente o tempo quando vemos uma alteração no espaço, como o movimento do Sol no céu ou o dos ponteiros de um relógio. Ajunto: temos uma vivência interior do tempo quando prestamos atenção à nossa pulsação ou respiração.
  • Comentário. Não ouvimos uma melodia, ouvimos os sons isolados que a formam. A melodia é criada interiormente, pelo que se poderia chamar de alma.

  • (Novo! 13/4/18) Nós nos sentimos como indivíduos porque temos memória e podemos consultá-la conscientemente. Esquecendo a história, deixamos de nos sentir como parte da evolução da humanidade.
    Comentário: motivada pela notícia do Simon Wiesenthal Center de 13/4/18: A new study released on Yom Hashoah ["Dia do Holocausto"] found that 22% of millenials said they haven’t heard of the Holocaust and that two-thirds didn’t know what Auschwitz was.

  • (Novo! 3/5/18) Havendo comida, quem quer come, quem não quer passa fome.
    Comentário
    : Isso se aplica também a ideias, que devem ser apresentadas mas nunca impingidas. Não se deve interferir na liberdade externa de um adulto responsável, pois uma das missões da humanidade é desenvolver a liberdade interna, o livre arbítrio.

Espiritualidade

  • O materialismo é tanto pior quanto mais se disfarça de espiritualismo.

  • Quem não reconhece a essência espiritual única da individualidade humana, tende a antropomorfizar indevidamente.
    Exemplos. Considerar que células ou animais "entram em acordo", chamar a unidade central de armazenamento de um computador de "memória", dizer que um termostato tem "opinião" (belief – John McCarthy) e, a pior de todas, "Inteligência Artificial" (expressão também inventada por McCarthy – ver meu artigo a respeito dela).

  • Uma hipótese fundamental de qualquer religião ou religiosidade deveria ser a de que a vida humana tem algum sentido.
    Corolário 1. O nascimento e a morte, esses momentos mais decisivos em cada vida, devem ter algum sentido (isto é, não devem ser fruto do acaso).
    Corolário 2. Toda a vida, a Terra e o universo devem ter algum sentido.

  • Da matéria não pode advir sentido para a vida, liberdade, dignidade, individualidade superior e responsabilidade humanas.

  • Quem tem medo da morte não compreende qual é o sentido da vida.

  • Do ponto de vista físico, a natureza é um milagre.
    Comentário
    . Inspirado pela visão de um cogumelo de uns 30 cm de altura, com a corola ainda não aberta.

  • O amor altruísta não faz sentido de um ponto de vista materialista.
    Justificativa. O amor altruísta , aquele que não visa nenhum benefício próprio, só pode ser exercido em total liberdade, isto é, com consciência e sem nenhuma imposição interior ou exterior (por exemplo, seguindo-se cegamente uma lei ou um dever social). Mas do ponto de vista materialista o ser o ser humano não tem livre arbítrio, como já foi visto.
    Corolário. O materialismo leva ao egoísmo.
    Comentário. Ações egoístas sempre têm como objetivo dar satisfação ou vantagem a quem as pratica. O egoísmo é o oposto do amor altruísta. Como o materialismo não pode reconhecer a existência do amor altruísta, acaba sempre levando ao egoísmo.

  • Uma pessoa coerente que acha que a genética determina decisivamente a personalidade humana, deve necessariamente ser egoísta.

  • O egoísmo sempre acaba sendo destrutivo; o amor altruísta, construtivo.
    Corolário. É necessário sublimar o egoísmo.
    Comentário.
    Toda planta e todo animal são egoístas, agindo no sentido da sobrevivência de si próprio e de sua espécie; quando algum animal não age egoisticamente, age por instinto. Só o ser humano é capaz de fazer essa sublimação.

  • Só háverá um real progresso da humanidade quando o amor altruísta sobrepujar o egoísmo.
    Comentário. As misérias causadas pelo ser humano são frutos do egoísmo.

  • Só o ser humano pode agir a partir de um amor altruísta.
    Justificativa. Nenhum animal tem livre arbítrio.
    Comentário. Estou ciente da explicação de Darwin para o altruísmo – uma pessoa altruísta é mais bem recebida pela sociedade e portanto tem mais chances de deixar descendentes. Nessa concepção, curiosamente, o egoísmo leva ao altruísmo.

  • O maior preconceito existente no mundo é que nele existem apenas substâncias e processos materiais (físicos).
    Comentário. Esse é o Dogma Central da Ciência Contemporânea (DCCC).

  • A maioria dos que se acham religiosos são de fato materialistas.
    Exemplos.
    Um líder de uma religião, ao visitar Auschwitz, disse: "Onde estava Deus para permitir que se fizessem aqui aqueles horrores?" Um outro líder respondeu, parcialmente adequadamente: "Deus estava onde deveria estar: esperando que os seres humanos tomassem uma atitude." Este segundo não justificou por que Deus delegou responsabilidade aos seres humanos e, mesmo assim, por que ele não interferiu. Ambos mostraram que não entendem o que é a divindade e seu papel nos dias de hoje – ou tinham uma visão materialista desse papel.

  • Quase todos os cientistas são materialistas.
  • Corolários dessas três últimas "leis":

  • As maiores fontes de preconceitos são os mundos acadêmico, científico e religioso.

  • As universidades, centros de pesquisa e centros de culto religioso são em geral museus de preconceitos.
    Comentário.
    Universidades e faculdades geralmente recebem seus alunos, selecionados por critérios absolutamente desumanos, mostram-lhes, durante anos, um monte de teorias abstratas especializadas enferrujadas, e acham que com isso deram-lhes uma formação quando, do ponto de vista holístico, o que houve foi uma deformação (muito apreciada pela aberração de sociedade em que vivemos).
  • Comentário. Se uma pessoa conhece várias religiões e é adepta convicta de uma determinada, tem que necessariamente achar que é a melhor de todas, senão ela mudaria para outra melhor.

Veja também as leis de Fang.

Veja também as leis da computação.