20 Jan 2018

TechShift Summit 2018

Em janeiro de 2018, dois membros nossos participaram do TechShift Summit, em Chicago, com membros de grupos de outras dez universidades. Saiba como foi!

O Tecs faz parte do TechShift, uma aliança global de universitários dedicados a usar e pensar a tecnologia para a melhoria do bem-estar social, construindo um futuro tecnológico mais justo para todos e todas. Desta aliança fazem parte universidades como Stanford, UChicago, Princeton, Brown e a USP, que representada pela gente, é a única latino-americana até o momento.

Como membros do TechShift, fomos convidados à participar do primeiro Summit deste movimento, na Universidade de Chicago, a fim de somar esforços no trabalho com as demais organizações do movimento e articular estratégias de atuação. Entre arrecadação de dinheiro via crowdfunding (no qual a maior parte dos doadores foram professores e professoras do IME) e, principalmente, suporte financeiro por parte do próprio TechShift, dois dos nossos membros, o Artur Magalhães e o Eduardo Laurentino, foram até os EUA representar o grupo, a USP e o Brasil.

Foram três dias de evento. O primeiro deles quase que inteiramente dedicado à integração entre os participantes, de modo que cada pessoa presente pôde compartilhar um pouco de sua realidade no curso e mesmo social, e transmitir um pouco das motivações em trabalhar com a interface tecnologia e impacto social. Embora a maior parte dos presentes estudassem nos EUA, havia estudantes de diferentes partes do mundo, como Canadá, China, Japão, Grécia, Malásia e nós, do Brasil. Para mediar o debate, contamos com a presença da Deborah Mills, docente da Universidade de Brown e entusiasta do movimento que também comentou sobre as transformações no curso e no perfil de estudantes de ciência da computação que ela observou ao longo dos anos, hoje majoritariamente composto por alunos homens brancos, defendendo assim a necessidade de se trabalhar para que alcancemos diversidade nos estudantes da área, pois estes serão os responsáveis por boa parte da inovação tecnológica do futuro próximo.

No decorrer dos dias, entre dinâmicas de grupo, sessões de debate e workshops, algumas questões guiaram as discussões acerca do movimento, tais como: qual o problema que estamos tentando resolver e porque isso é um problema? O que significaria um sucesso para o nosso trabalho? É possível que esse trabalho deixe de ser necessário em algum momento? Por que é importante que este movimento seja global? Pelo o que lutaremos e pelo o que não lutaremos?

Discussões e atividades Frutos das discussões

Para tanto, contamos ainda com dois palestrantes. O primeiro deles, Zach Lipp, da Civic Analytics, falou sobre como os trabalhos com ciência dos dados podem ajudar, cada vez mais, a identificar necessidades sociais e discriminá-las com recortes específicos de raça, gênero e classe social, o que é de extrema importância na lógica de governos abertos e para construção de novos modelos de políticas públicas. O segundo foi o Avishek Kumar, do Center for Data Science and Public Policy da Universidade de Chicago, que levantou questões sobre as problemáticas em torno do uso de métodos de machine learning - e inteligências artificiais num geral - na dinâmica social quando não devidamente acompanhadas de cuidados necessários para que essas tecnologias não reproduzam os preconceitos da nossa sociedade, como já ocorre com softwares de policiamento notadamente racistas, por exemplo.

Palestras Discussões

Conforme os trabalhos foram terminando e o Summit chegou em seu último dia, ficou ainda mais clara a importância de um movimento como esse, com propósito global. Com as contribuições de pessoas de diferentes partes do mundo, fica evidente que o senso de justiça social, e mais especificamente do que significa causar impacto com e pela tecnologia, não é universal. Logo, construir uma comunidade global engajada nessa missão se faz necessário para que o trabalho feito no movimento possa levar isso em consideração a todo o momento. Com isso em mente, encerramos o Summit com uma missão que contempla esses anseios e norteará o movimento pelos próximos anos:

“Expand the use of technology as a force for good, minimize the potential harms of technology and amplify voice of a new generation of global leaders working at the intersection of technology and social impact.”

Como Tecs, levamos muito da nossa realidade local, do contexto brasileiro, até lá. E voltamos com muita bagagem para continuar colaborando com o movimento, fortalecendo-o à partir da perspectiva de um país que tem sérios problemas com educação, com assistência social e com responsabilidade de serviços, mas no qual trabalhamos visando agir para a melhoria desse mal estar social. Queremos engajar estudantes de outras universidades brasileiras a construírem seus próprios grupos de computação social e entrarem pra o movimento, nos ajudando a construir um Brasil, uma América Latina e, por que não, um mundo tecnologicamente mais justo para todos e todas.