08 Mar 2018

Debates: ética e tecnologia

Realizeramos, neste primeiro semestre de 2018, um ciclo de palestras-debates com o intuito de discutir para discutir temas tão atuais quanto necessários sobre responsabilidade tecnológica. Confira a programação e participe!

O Evento

Fazendo valer a nossa missão, na qual entendemos que promover uma Computação Social é promover uma computação que pense sobre si mesma para além da técnica e que seja capaz de mensurar e considerar todas as implicações éticas do que carrega em si, promoveremos neste semestre um ciclo de palestras-debate para discutir temas tão atuais quanto necessários sobre responsabilidade tecnológica.

Quinzenalmente, um tema diferente. Confira a programação completa e venha com a gente debater esses assuntos, pois apenas juntos podemos repensar e mudar.

Sempre às 13h, no IME-USP.

A programação

21/03 - Encontro #1

Neutralidade da rede: o que é e por que é importante, com Nathalia Sautchuk - NIC.Br

A neutralidade da rede é o princípio de que todas as informações que trafegam na rede devem ser tratadas da mesma forma e acessadas com a mesma velocidade, garantindo ao usuário o livre acesso a qualquer tipo de conteúdo na rede, sem ferir sua autonomia ou discriminar determinadas aplicações por consumo de banda larga. No Brasil, ela é garantida pelo Marco Civil da Internet, de 2014, mas há aspectos da prática atual que podemos questionar, como pacotes de internet que garantem acesso gratuito ao WhatsApp, mas não a outros aplicativos de mensagens instantâneas. Atualmente, o assunto tem sido muito discutido porque, nos Estados Unidos, a lei que garantia a neutralidade de rede foi suspensa pelo FCC. [Texto parcialmente adaptado da Wikipedia.]


11/04 - Encontro #2

Privacidade e proteção de dados: seus dados são você, com Rafael Zanatta - Idec

Os dados pessoais são chamados de “novo petróleo” da economia mundial por serem um recurso valiosíssimo, e a oferta aparentemente gratuita de diversas tecnologias importantes no nosso dia a dia, como o acesso a websites, redes sociais e outros tipos de aplicativos, é estimulada pela sua obtenção. Para manter esse tipo de negócio, é de interesse das empresas coletar o máximo de informações pessoais e fazer o que quiser com elas, muitas vezes sem explicitar para o consumidor, nos termos de uso, quem terá acesso a essas informações e o que poderá ser feito com elas. O primeiro prejuízo da coleta, guarda e comercialização ou compartilhamento dos nossos dados pessoais de maneira desregulada é para a privacidade das e dos cidadãs e cidadãos, que perdem o direito de escolher autonomamente o que querem compartilhar e com quem. O segundo é para a liberdade: os dados são utilizados para criar diversos filtros sociais e econômicos, que muitas vezes são discriminatórios. . Não temos, no Brasil, uma lei clara que garanta a proteção de dados pessoais. [Texto adaptado da Coalizão Direitos na Rede.]


25/04 - Encontro #3

Inteligências artificiais, preconceitos reais: o viés dos algoritmos

Cada vez mais, algoritmos deixam de ser parte do jargão técnico e tornam-se parte do vocabulário cotidiano da população. Entre o algoritmo do feed do facebook e estratégias de precificação, vivemos em um mundo no qual decisões automatizadas são progressivamente presentes, e acredita-se que tais programas são atores neutros. Mas será que são capazes de uma neutralidade que não é sequer presente entre seus criadores? Vivendo em um mundo enviesado, somos capazes de fornecer dados neutros para o treinamento desses programas? As práticas de mathwashing, quando se utiliza de termos matemáticos para descrever uma realidade mais subjetiva, são não apenas errôneas mas podem ter consequências muito além das imaginadas. Não existem dados perfeitos, e se forem coletados de maneira incorreta, não há matemática que irá prevenir a construção de um produto ruim ou perigoso, como afirma o criador do termo, Fred Benenson. Neste encontro, vamos discutir a importância de se pensar sobre isso tanto na produção do código quanto na obtenção dos dados.


09/05 - Encontro #4

Dados enviesados e algoritmos tendenciosos: discriminação de raça e gênero na tecnologia

Dando sequência à palestra anterior, vamos apresentar alguns casos em que o viés dos dados resultaram na criação de algoritmos discriminatórios ou prejudiciais para uma minoria, com enfoque especial em casos de discriminação de raça e gênero. São alguns exemplos emblemáticos, que dizem muito sobre nossa configuração social; dentre os quais os softwares de sentenciamento automático utilizados para orientar e amparar decisões jurídicas nas cortes americanas e que tendem a condenar cidadãos negros, e softwares de reconhecimento de fala, que têm mais dificuldade em reconhecer vozes femininas.


23/05 - Encontro #5

Bots e fake news: a tecnologia entre manipulação e alienação, com Marcelo Blanco - Artigo 19

Espalhar boatos, contar mentiras e compartilhar informações imprecisas são práticas que não nasceram com a Internet. Ainda assim, a facilidade em difundir ideias para um grande público e o lucro rápido decorrente de anúncios na rede gerou um aumento na criação e na distribuição de notícias falsas. Esse fenômeno ficou conhecido, especialmente após a corrida presidencial norte-americana de 2016, como fake news. Nesse contexto, os bots (programas automatizados) estão transformando a política. No Twitter, estima-se que haja mais de 50 milhões de contas fazendo uso de programas automatizados para espalhar conteúdo. No Facebook, financiamento de mensagens em perfis falsos gerenciados por bots estão no centro da atuação da Rússia em eventos internacionais, da eleição Americana à Independência da Catalunha. No Brasil, as eleições de 2018 serão invadidas por bots, que transformarão as mídias sociais em campos de manipulação. Mas qual a relação entre bots e fake news? Seriam todos os bots uma ameaça à democracia? E se tivéssemos bots popularizados para uso geral, e se os conteúdos criados por bots fossem baseados em bom jornalismo, e cruciais para a sustentabilidade até de mercados jornalísticos locais? [Adaptado do site do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio (ITS Rio).]


06/06 - Encontro #6

Vigilantismo e sociedade: controle e poder na era da Internet, com Victor Veloso, NETS-USP

O Vigilantismo digital é a prática de internautas que se utilizam dos recursos da internet e outras tecnologias digitais para combater alguma prática criminosa ou socialmente recriminada. O vigilantismo pode englobar os mais diversos temas, de golpes na rede à exploração sexual de crianças, passando por questões de proteção ambiental, direitos sexuais e corrupção. Nem sempre a prática condenada é crime e o vigilantismo neste caso pode se confundir com discriminação, intolerância e outros crimes de ódio, além de violar o direito de livre expressão do grupo/população alvo. Há, ainda, o vigilantismo estatal, quando tais Muitas vezes as ações vão além da vigilância e podem passar a reações radicais de justiça com as próprias mãos, invadindo as contas dos suspeitos e revelando as suas identidades para que sejam retaliados não apenas na rede. Há situações em que o vigilantismo desencadeia a ação de justiceiros virtuais e até linchamentos públicos, o que configura uma ação criminosa ao desconsiderar o direito de defesa e de processo formal nos órgãos de justiça. Mesmo quando não ocorre o linchamento físico, são comuns casos de linchamentos públicos na própria Internet, gerando ondas de intimidação e ameaças aos suspeitos. [Texto adaptado do site da SaferNet.]