Manifesto

A Comissão Permanente de Jovems Pesquisadores em Matemática Pura e Aplicada gostaria de pedir aos colegas que assinem o manifesto contra o corte de verbas na CAPES, para isso, basta enviar uma mensagem a um dos seguintes matemáticos até o dia 08 de agosto:

Cássio Oishi () – Universidade Estadual Paulista
Christina Brech () – Universidade de São Paulo
Fernando Rodrigo Rafaeli () – Universidade Federal de Uberlândia
Gabriel Haeser ()- Universidade de São Paulo
José Nazareno Vieira Gomes () – Universidade Federal do Amazonas
Marcos Petrúcio () – Universidade Federal de Alagoas
Miriam Telichevesky () – Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Moiseis Cecconello () – Universidade Federal de Mato Grosso
Régis Varão () – Universidade Estadual de Campinas
Rodrigo Bissacot () – Universidade de São Paulo

Veja no link os nomes que já assinaram o manifesto: https://docs.google.com/spreadsheets/d/1grUy9vF21Z6dAJ-VoqBlnKCRTckp458xEv2SW7SuWWI

Manifesto dos Jovens Pesquisadores em Matemática Pura e Aplicada

Após anos de investimentos que permitiram a expansão do ensino superior e da pesquisa no país, este ano fomos surpreendidos por cortes no orçamento federal que colocam em risco os avanços conquistados e que podem ter consequências devastadoras a curto e médio prazo para a Matemática brasileira. No mais recente deles, a CAPES anunciou cortes da ordem de 75% nas verbas de custeio e capital dos programas PROAP e PROEX, que financiam gastos como bancas de mestrado e doutorado, visitas de pesquisadores aos programas e participação de professores e estudantes em congressos, além da própria organização de eventos acadêmicos. Não bastasse a verba do PROAP ser muitas vezes a única fonte que os programas de pós-graduação de menor porte possuem para financiar suas atividades, ressaltamos que, em um país de dimensões continentais, a mobilidade de alunos e pesquisadores é uma das principais formas de divulgar não apenas os resultados produzidos pelos colegas que ali desenvolvem pesquisa em Matemática, mas também a própria existência desses programas. Os cortes anunciados já geraram inúmeras distorções e, uma vez mantidos, programas de pós-graduação não mais poderão honrar seus compromissos e sequer financiar a participação de seus coordenadores em reuniões agendadas pela própria CAPES.

Não obstante um número restrito de bolsas de produtividade em pesquisa do CNPq para a área, a Matemática produzida no Brasil tem obtido resultados de grande projeção internacional. Recentemente, um brasileiro foi agraciado com a maior honraria da Matemática mundial, a Medalha Fields, um prêmio de prestígio equivalente ao Nobel. Mais ainda, jovens matemáticos trabalhando em lugares de menor projeção têm publicado seus trabalhos em periódicos de grande prestígio em suas respectivas áreas de pesquisa e formado doutores com resultados que fazem frente às escolas mais tradicionais. Os cortes foram anunciados no momento em que discutíamos propostas para pleitear mais bolsas e programas voltados a jovens pesquisadores, atuantes em diversas partes do país e diferentes áreas da Matemática, os quais, apesar dos enormes avanços no ensino superior já mencionados, ainda sofrem com grande carência de verbas. Com isto, a tão necessária diversificação das linhas de pesquisa em Matemática e suas Aplicações encontram-se em suspensão.

Estas graves dificuldades acadêmico-administrativas nada são ao se perceber que o elemento mais nefasto desta brutal restrição orçamentária é o comprometimento dos destinos da nação. Não se equaciona o presente colocando-se em risco o futuro. Não se resolve o hoje eliminando-se a possibilidade do amanhã. Ora, não há cenário no qual a conquista de crescimento econômico sustentável não passe por inovação em Ciência e em Tecnologia. Sendo, portanto, o papel da Matemática e suas Aplicações decisivo para a construção do país que almejamos, maior é a nossa inquietação com a irrefletida política orçamentária adotada.

Manifestamos nossa perplexidade diante da falta de diálogo por parte dos órgãos federais com a comunidade acadêmica, em particular com a comunidade matemática brasileira, na hora de abordar situações de grande complexidade e que podem afetar drasticamente o futuro da Ciência no país. Entendemos que condições econômicas adversas exigem sacrifício, mas é preciso que haja planejamento e discussão com os pesquisadores, para que possamos contorná-las da melhor maneira possível, minimizando os danos. Portanto, repudiamos a forma com que a questão tem sido conduzida, em especial com relação aos enormes cortes de verbas que afetam os programas de pós-graduação e minam, na maioria dos casos, um importante instrumento para a sua manutenção.