As Congregações  – órgão deliberativo máximo dentro de uma faculdade, instituto ou escola da Universidade – de unidades da USP manifestaram suas preocupações com o momento político do País e destacaram a importância de se defender a democracia, o livre pensamento e a autonomia acadêmica.

Entre os dias 24 e 25 de outubro, a Faculdade de Saúde Pública (FSP), Instituto de Psicologia (IP), Escola Politécnica (Poli) e Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) divulgaram notas ressaltando que é preciso condenar atos violentos, discriminatórios ou qualquer ação e declaração que coloquem em risco os direitos constitucionais. Os textos na íntegra podem ser acessados através da matéria publicada no Jornal da USP sobre esse assunto, pelo link: https://jornal.usp.br/universidade/comunidade-usp/congregacoes-da-usp-reafirmam-a-importancia-da-democracia/

Abaixo segue o texto aprovado na íntegra na Congregação do IME realizada em 25 de outubro de 2018.

 

A Congregação do Instituto de Matemática e Estatística (IME) da USP se posiciona a favor do Manifesto da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência) – Cientistas pela Democracia

 

Cientistas pela democracia

Nós cientistas brasileiros, independente de nossas posições políticas ou ideológicas, vimos a público reafirmar o nosso pétreo compromisso com a democracia. A ciência, como bem público, precisa do ambiente democrático para progredir e produzir seus benefícios.

Os regimes autoritários muito frequentemente instrumentalizam a ciência para fins contrários aos interesses da sociedade. A boa ciência necessita da crítica e do contraditório, do reconhecimento das diferenças e do respeito a opiniões divergentes, todas características que somente podem florescer em ambiente democrático.

As imperfeições do processo democrático necessitam correções, porém nunca deverão servir de pretexto para que renunciemos à democracia. Também repudiamos,com veemência, toda e qualquer apologia à tortura, as inúmeras formas de violação e as ameaças à preservação do meio ambiente praticadas por regimes autoritários do passado e do presente.

O fazer ciência pela vida, pelo progresso social, pelo bem estar da população, passa pela garantia da manutenção das liberdades, dos direitos humanos, pela pluralidade de ideias, pela eliminação da intimidação, da discriminação e da tortura, e pela oposição a qualquer tipo de violência, qualquer que seja sua motivação (étnica, de gênero, sexualidade, posição política ou qualquer outra).

Necessitamos sempre aperfeiçoar e consolidar a democracia para que a ciência avance e possa contribuir para as transformações sociais, tão necessárias à nossa sociedade.