O Regimento Geral da USP, os atos normativos de caráter geral da Universidade de São Paulo, oriundos dos Órgãos da Administração Central, editados na Universidade desde a edição do atual Estatuto (outubro de 1988), bem como os Regimentos das Unidades de Ensino e Pesquisa, Museus, Institutos Especializados, Hospitais e outros Órgãos, podem ser encontrados na página oficial da USP.

 

Código de ética da Universidade de São Paulo 

 

ELEIÇÃO PARA ESCOLHA DO CHEFE E VICE-CHEFE DO DEPARTAMENTO DE CIÊNCIA DA COMPUTAÇÃO

18.09.2020 Chapa(s) deferida(s)

02.09.2020 Portaria IME 1830 - Dispõe sobre a eleição para escolha do(a) chefe e do(a) vice-chefe do Departamento de Ciência da Computação do Instituto de Matemática e Estatística da Universidade de São Paulo.

 

 

ELEIÇÃO COMPLEMENTAR PARA REPRESENTANTES NA CONGREGAÇÃO E CONSELHOS DOS DEPARTAMENTOS

28.08.2020 Portaria IME 1829 - Dispõe sobre eleição complementar para composição da Congregação e dos Conselhos dos Departamentos do Instituto de Matemática e Estatística da Universidade de São Paulo. 

 

 

ELEIÇÃO PARA ESCOLHA DE MEMBROS PARA COMPOREM A COMISSÃO COORDENADORA DO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIA DA COMPUTAÇÃO

07.05.2020 Portaria CPG 11 - Retifica a Portaria CPG 10

13.04.2020 Portaria CPG 10 - Dispõe sobre a eleição para escolha de ​ três membros ​ e seus respectivos suplentes para comporem a Comissão Coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Computação do
Instituto de Matemática e Estatística. 

 

 

ELEIÇÃO PARA ESCOLHA DO CHEFE E VICE-CHEFE DO DEPARTAMENTO DE MATEMÁTICA APLICADA

06.05.2020 Resultado da eleição

04.05.2020 Chapa deferida após segundo prazo de inscrições

17.04.2020 Chapa(s) deferida(s)

31.03.2020 Portaria IME 1825 - Dispõe sobre a eleição para escolha do(a) chefe e do(a) vice-chefe do Departamento de Matemática Aplicada do Instituto de Matemática e Estatística
da Universidade de São Paulo.

 

 

 

ELEIÇÃO COMPLEMENTAR PARA COMPOSIÇÃO DA CONGREGAÇÃO E CONSELHOS DOS DEPARTAMENTOS

13.04.2020 Candidatos inscritos

31.03.2020 Portaria IME 1826 - Altera a Portaria IME 1817.

27.02.2020 Portaria IME 1817 - Dispõe sobre a eleição complementar para composição da Congregação e dos Conselhos dos Departamentos do IME.

 

 

ELEIÇÃO PRESIDENTE E VICE-PRESIDENTE DA COMISSÃO DE GRADUAÇÃO

27.03.2020 Chapa(s) deferida(s)

23.03.2020 Portaria IME 1821 - Altera a Portaria IME 1812.

13.03.2020 Chapa(s) deferida(s)

19.02.2020 Portaria IME 1812 - Dispõe sobre a eleição para escolha do Presidente e Vice-Presidente da Comissão de Graduação do IME. 

 

 

ELEIÇÃO PRESIDENTE E VICE-PRESIDENTE DA COMISSÃO DE PÓS-GRADUAÇÃO

27.03.2020 Chapa(s) deferida(s)

23.03.2020 Portaria IME 1822 - Altera a Portaria IME 1813.

13.03.2020 Chapa(s) deferida(s) 

19.02.2020 Portaria IME 1813 - Dispõe sobre a eleição para escolha do Presidente e Vice-Presidente da Comissão de  Pós-Graduação do IME. 

 

 

ELEIÇÃO PRESIDENTE E VICE-PRESIDENTE DA COMISSÃO DE PESQUISA

27.03.2020 Chapa(s) deferida(s)

23.03.2020 Portaria IME 1823 - Altera a Portaria IME 1814.

13.03.2020 Chapa(s) deferida(s)

19.02.2020 Portaria IME 1814 - Dispõe sobre a eleição para escolha do Presidente e Vice-Presidente da Comissão de  Pesquisa do IME. 

 

 

ELEIÇÃO PRESIDENTE E VICE-PRESIDENTE DA COMISSÃO DE CULTURA E EXTENSÃO

27.03.2020 Chapa(s) deferida(s)

23.03.2020 Portaria IME 1824 - Altera a Portaria IME 1815.

13.03.2020 Chapa(s) deferida(s)

19.02.2020 Portaria IME 1815 - Dispõe sobre a eleição para escolha do Presidente e Vice-Presidente da Comissão de Cultura e Extensão Universitária do IME.  

 

 

ELEIÇÃO DOS REPRESENTANTES DISCENTES DE GRADUAÇÃO E DE PÓS-GRADUAÇÃO JUNTO AOS DIVERSOS COLEGIADOS DO IME

23.08.2019 Portaria IME 1799 - Dispõe sobre a eleição dos representantes discentes de Graduação e de Pós-Graduação junto aos diversos colegiados do IME.

 

11.10.2019 Portaria IME 1804 - Dispõe sobre a alteração das datas da eleição dos representantes discentes de Graduação e de Pós-Graduação junto aos diversos colegiados do IME, que consta na Portaria 1799, de 23.08.2019.

28.11.2019 Resultado da Eleição

 

 

 

 

 

O objetivo desta seção é ser um repositório da história dos nossos docentes, muitos dos quais silenciosamente deram vasta contribuição ao firme caminhar da matemática ao longo das gerações.

Esta galeria de homenagens póstumas a nossos inúmeros mestres surgiu em 2015 e desde então está aberta a receber indicações de novos nomes que possam fazer parte dela.

As condições para inclusão de um nome nesta seção são:
(1) Ter sido docente do IME;
(2) Ter sido indicado como homenageado por um docente (na ativa ou aposentado);
(3) Ter algum material com interesse histórico (texto e/ou biografia e/ou foto) fornecido pelo Prof. que o indicou.

Após a inclusão, novos materiais sobre esta pessoa poderão ser adicionados a qualquer momento.

Fotos individuais dos homenageados (desde que tenham uma resolução mínima) podem ser publicadas; já as fotos que contenham a presença de outras pessoas só poderão ser publicadas quando todos que apareçam com igual destaque estejam identificados.

As indicações, o material a ser disponibilizado na página e as possíveis correções devem ser enviadas para Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

 

O seguinte texto foi retirado da página do professor do IME, Carlos Alberto de Bragança Pereira, em homenagem a Flávio Wagner Rodrigues. Flávio Wagner Rodrigues também foi professor do IME e faleceu em 30 de julho de 2004, aos 68 anos.

Flávio Wagner Rodrigues (à esquerda)Professor Flávio Wagner Rodrigues (à esq.), Carlos Alberto de Bragança (centro) e José Galvão Leite (dir.)

O ombro amigo do Tio Flávio acabou!
Por Carlos Alberto de Bragança Pereira


Certo dia, discutindo com meu filho, afilhado do Mestre, eu disse a ele, "André, você é um cara de sorte por ter meu ombro para chorar". Perguntei então, "se tivesse eu que chorar, o ombro de quem me acolheria?". Rapidamente me respondeu, "o do Tio Flávio, pô!". Meu argumento não colava! Eu tinha mesmo o ombro do meu querido amigo de toda hora. Flávio Wagner Rodrigues, um grande homem, companheiro, amigo e principalmente possuidor do ombro mais amigo, faleceu no dia 30 de julho em uma UTI do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, no Paraíso, em São Paulo. Tenho certeza que a passagem pelo Paraíso paulista foi a porta para o paraíso de verdade. Acho que se a pergunta fosse feita hoje, meu filho teria que pensar muito antes de responder.

Tive o privilégio de estar com o Mestre no domingo, dia 25 e seu humor estava ótimo. Em um quarto do hospital assistimos a parte do jogo Brasil x Argentina. Fui para casa assim que terminou o primeiro tempo com o empate de 1 a 1. Devia ter ficado até o final para ver sua alegria com a vitória "suada" do Brasil. Tinha-lhe presenteado o livro "O Gene da Matemática" que pensei retratar suas habilidades profissionais. Tenho certeza que ele teve esse gene ativado durante toda a vida.

Naquele domingo, Flávio parecia ter se recuperado, mais uma vez, das agressões que vinha sofrendo nos últimos 12 anos. Aquele quadro era muito melhor do que o dos anos de suas cirurgias. Vencia com muita bravura os tempos duros do pré e do pós-operatório. Importante dizer que a sua lucidez parecia ainda melhor a cada agressão sofrida. Por exemplo, meu colega e amigo Julio Stern pediu minha opinião sobre como orientar seu filho no caminho da Matemática. Disse a ele que a melhor coisa era colocar o Rafael na mão do grande professor. Flávio e Rafael se tornaram parceiros, Mestre/Aluno, a ponto de Rafael ser hoje viciado em probabilidade e combinatória. Hoje faz iniciação científica com uma colega probabilista. Ainda sobre sua lucidez e rapidez de raciocínio, lembro que no mês passado tive um problema que não sabia resolver e lhe telefonei. Minutos depois de desligar, telefonou perguntando se eu não lembrava do problema da distribuição de bolinhas em urnas do livro do Feller. Respondeu então a todas as minhas perguntas. É bom colocar as questões aqui para o leitor se divertir um pouco. Meu problema era saber o número de pontos amostrais possíveis em uma tabela de contingência 2 por 2. Inicialmente, com apenas o total fixo, depois, com uma marginal fixa e, finalmente, com as duas marginais fixas. É claro que podemos obter a resposta depois de algum trabalho, mas em poucos minutos eu duvido.

Para ilustrar o relacionamento alegre que sempre permeou nossa amizade, gostaria de relatar alguns fatos de nosso longo convívio. No dia de meu último contacto com o saudoso amigo, o enfermeiro entrou e disse que eu era muito parecido com meu pai, no caso, o Flávio. O Mestre riu muito lembrando que, tempos atrás, me havia dito que eu subornava o vigia de sua rua, pois toda vez que passava por sua casa e ele não estava, o vigia dizia-lhe que seu filho mais velho tinha passado para visitá-lo. Sou apenas 10 anos mais jovem que ele.

Somos uma legião de admiradores do Mestre. Sérgio, Wagner, Galvão e eu certamente tomávamos sua bênção periodicamente. Outros como Adilson e Cláudia o faziam de forma menos constante, mas também pediam sua bênção. Tínhamos o costume de nos reunir uma vez por mês, pelo menos, para almoçar no meio da semana. Era na verdade um Clube do Bolinha formado apenas por estatísticos do IME (o Duda não é estatístico, mas já trabalhou no Departamento e nos presta uma ajuda inestimável). Certa vez, quando começou o cerco aos fumantes, um repórter entrou por acaso em nosso restaurante preferido, o Rubaiat da Vieira de Carvalho, no centro de Sampa, e entrevistou o Mestre, um fumante incorrigível. No dia seguinte estávamos em jornais e telejornais que estampavam os malandros da USP, incluindo o Galvão (pasmem!), em plena quarta-feira às 14 horas a tomar algumas caipirinhas e outros aperitivos. Nosso clube funcionou a todo vapor antes da primeira cirurgia do nosso mestre.

Certa vez, com os resultados do trabalho de doutorado do Galvão, o problema do número de semanas necessárias para esgotar todas as dezenas do jogo da sena foi resolvido. O Mestre se divertiu e mostrou uma solução muito mais elegante usando sua habilidade combinatória. Mais do que depressa, com meu espírito visionário, escrevi um artigo com as duas soluções, e o submeti em nome dos três ao "Communications". Ele riu muito, pois achava que jamais alguém publicaria uma "besteira" como aquela. O artigo foi publicado e aí ele riu de novo dizendo que a Academia já não era a mesma. Minha grande vitória foi quando nosso artigo foi escolhido para fazer parte do conjunto de abstracts do final de ano do ISI. Ele na verdade nunca se interessou por ter artigos publicados. O que gostava mesmo era de resolver problemas que para nós pareciam insolúveis. Um dos artigos em que o Sérgio foi seu co-autor, submetido novamente nas mesmas circunstâncias (escondido do Mestre), foi publicado no IEEE. Para nós, seus asseclas, não existe, no Brasil, alguém com tanta cultura, seja geral ou na área de teoria das probabilidades. Achar um intelectual em nossa comunidade não é fácil. Se o leitor desejar ver uma contribuição importante de nosso Mestre, veja a Revista do Professor de Matemática desde seu início. E não foi por acaso que traduziu o livro do Feller!

Tínhamos outro Clube do Bolinha que se reunia periodicamente para um almoço, também no meio da semana, de preferência. Era um almoço que durava umas 4 ou 5 horas e certamente não havia como realizar algum trabalho formal nesses dias. Esse era formado por mais amigos ainda. O Mestre, John, Bolívar, Reinaldo, Teófilo eram os mais coroas; depois vinha eu ali na média e depois Sérgio e Duda. Estou sendo injusto com o mestre quanto à idade. John é o extremo superior e o Duda o inferior. Duda, nas palavras do mestre, e como todos vocês sabem, é o único trabalhador de verdade do nosso grupo e certamente o menos Petista de todos nós. Posso dizer, sem titubear, que das coisas que fiz na vida, nossos encontros devem ter sido as mais importantes.

Tenho pena de quem não teve o privilégio de conviver com uma pessoa como nosso Mestre. Flávio era um sentimental! Muitas vezes, ao contar um fato ou falar de uma letra do Cartola, seus olhos se enchiam de lágrimas. Ele convivia com meus problemas com a mesma ou maior profundidade do que eu mesmo. Creio que, tanto o vigia como o enfermeiro, acertaram em cheio quando disseram que ele era meu pai. Dos dois pais que tive, guardo lembranças incríveis. Aproveitei do convívio com os dois pais, Basílio (o biológico) e Flávio (o mestre), tudo que um filho consegue. Sei que de agora em diante vou ter que conseguir a coragem do Mestre para poder enfrentar a vida sem aquele ombro amigo do Tio Flávio. Ultimamente, para matar a saudade do meu Rio antigo, tenho escutado Teresa Cristina cantando Paulinho da Viola. Parte de uma das letras (a adaptação abaixo é minha) me traz o meu compadre na lembrança.

Eu sou assim, quem quiser gostar de mim eu sou assim. Eu sou assim e assim morrerei um dia. Não levarei arrependimento nem o peso da hipocrisia. Tenho pena daqueles que se enganam a si mesmos por dinheiro ou posição. Nunca tomei parte nesse enorme batalhão. Pois, sei que além de flores nada mais vai no caixão.

 

O presente artigo foi publicado pela Folha de São Paulo, quando da morte do Professor João Afonso Pascarelli, sendo escrito pelo Padre Charboneau, vice-diretor do Colégio Santa Cruz.

O professor João Afonso Pascarelli foi docente do IME, no final dos anos 80 e hoje dá nome ao CAEM - Centro de Aperfeiçoamento do Ensino de Matemática "João Afonso Pascarelli".

 

joao pascarelli2 

 

Folha de São Paulo - 25 de agosto de 1987, página 3 - Tendências e Debates

Do Professor ao Mestre

Nossa época é de grande confusão em todos os domínios. Especialmente no campo da educação, mais do que em qualquer outro.  Não sabemos mais por quais caminhos devem seguir os currículos, quais as vias de equilíbrio entre disciplina e liberdade, quais devem ser as relações entre professor e aluno.

Que seria necessário, então, para que a educação que se oferece à juventude corresponda às esperanças que ela alimenta e que ela traz em si, apesar de todas as aparências?

Eu estaria tentado a resumir o mal da nossa educação dizendo que a maior infelicidade que os jovens conhecem é a de não ter que conviver senão com professores, quando desejam viver ao lado de mestres. Os Mestres que irão abrir-lhes, não apenas o universo do conhecimento, mas que lhes abrirão também os caminhos da vida.

Haveria aqui ampla matéria para uma longa dissertação sobre o assunto. Um recente acontecimento, que pertence a minha história pessoal, leva- me a escolher, antes de mais nada, o caminho do testemunho.

Recentemente faleceu um de nossos professores mais antigos, João Affonso Pascarelli, que compartilhava de nosso ideal, ideal que preside nosso trabalho de educador, desde os primeiros anos da fundação de nossa Instituição. Professor de Matemática de grande valor, ele era antes de mais nada um educador nato e mais do que simples professor, ele havia se tornado verdadeiramente um mestre. Os jovens percebiam isso e o consideravam como tal, a despeito de sua discrição. Por ocasião da missa que foi celebrada quando se deu o seu falecimento, uma de nossa ex-aluna, recém-formada, Ana Amélia Inoue, leu a seguinte carta, que acabara de escrever, para dizer da sua admiração e da sua dor. Eu a transcrevo sem comentários e a levo a sua reflexão:

"Todos nós temos sempre um grande mestre na vida. Sempre é alguém que soube com arte e com amor, nos iniciar nos mistérios do conhecimento. Mas não é só isso. Sempre é alguém que soube, com arte e amor transcender o próprio conhecimento e nos iniciar em alguns dos muitos mistérios da vida. São sempre artistas, sem dúvida. São sempre magos. Alquimistas que formam....e transformam, que nos mostram que aí, na capacidade de transformação, está o poder num sentido mais profundo da palavra. São pessoas que ensinam mais do que a matéria...ensinam o Espírito. Pessoas que despertam a nossa capacidade divina de admirar, de respeitar, de reconhecer uma verdadeira sabedoria.

São, de certa forma, deuses, pois se eternizam na alma da gente. São, no mais profundo e verdadeiro sentido das palavras, Mestres. Você, Pasca, foi assim...um mestre, um mago, um alquimista. Um sábio como tão bem o definiu o Flávio Di Giorgi, outro grande mestre.

Aprendi muitas coisas com você, João... coisas que transcendem de longe a lógica matemática...aprendi a respeitar o conhecimento e reconhecer a sabedoria. E aprendi a admirar os sábios e a respeitar as suas respectivas sabedorias. Você me ensinou a aprender. E, talvez, este tenha sido o ensinamento mais precioso da minha vida. Tal qual um parteiro, você conseguia extrair da gente essa nossa misteriosa capacidade de aprender. E, como um grande feiticeiro, fazia-nos acreditar e descobrir que éramos capazes de ser, também, feiticeiros, descobridores de grandes mares.

Quantas sutilezas estão contidas no mistério da aprendizagem... a maior delas talvez seja a simples fé de que o aluno vai aprender...E a fé move montanhas ... A sua moveu muitas.

Você sempre foi exigente, numa atitude de confiança e respeito à nossa sabedoria e à nossa condição de aprendiz. Lembro de uma prova difícil que você deu para a minha classe, que gerou reclamações fervorosas. E você disse: "o que vocês querem , uma prova para burros?”... a gente era adolescente, queria o reconhecimento incondicional da nossa força, capacidade e inteligência, é claro... E aí... o que estávamos fazendo ali? Ah... éramos aprendizes aprendendo... Aprendendo a crescer.

Lembro-me das suas aulas, João Affonso... não podia chegar atrasado, não podia sentar na janela, não podia por os pés na cadeira, não podia fumar. A gente era adolescente e você era corajoso. Porque pra gente, o desafio era um alimento importante. Desafiar. E ser desafiado era vital. Era através disso que a gente crescia... Mas aí a gente se perguntava o que estava acontecendo, se a gente estava sendo covarde e não queria o desafio ou estava sendo reprimido por forças autoritárias. Tecíamos hipóteses porque havia algo ali que fazia a gente ser pontual, não sentar na janela, não fumar e nem por os pés na cadeira. Excepcionalmente. Algo que a gente um dia descobriu que era autoridade e não autoritarismo, respeito que se impôs por si e não repressão ou covardia.

Outras variáveis faziam parte desta sua equação para que a gente conseguisse chegar nessa sua solução, na sua tradução, Pasca. A música que você amava, a literatura, a sua afetividade, o seu bom humor. Foi uma grande surpresa, quando num churrasco de final de ano, era você que sabia a letra de todas as musicas que apareceram. Você não cantou porque disse que era desafinado, mas ficou ali soprando as letras pra gente cantar e sugerindo músicas: " toca aquela..." e foi ai que eu aprendi a letra de Folhas Secas de Nelson Cavaquinho, que você me ensinou, desta vez, indignado com a minha ignorância.
Pois é mestre ....há sempre muito a aprender. Cada dia mais a gente descobre isso... ainda que as vezes, as equações nos pareçam insolúveis, como a vida e a morte...mas a gente, um dia já aprendeu a resolver equações difíceis e complicadas, não é mesmo?

Tenho um certo alento no coração, quando olho e vejo que você está inteiramente presente dentro de mim, todos os dias, quando estou com as crianças com quem trabalho. E quando eu me flagro tendo essa mesma fé absoluta de que aquela criança tem capacidade de aprender e vai crescer... E que por isso vale a pena investir, vale a pena viver e... morrer. Porque entre a vida e a morte, existe a obra. E a sua Pasca, é de um valor infinito e eterno, e por isso, divino. Não se acaba, não se mata, não se esquece. Mas brota e floresce!!

Tenho muita saudade de você... Muita... Muita. E também da tranquilidade que me vem da lembrança de você nestas ultimas vezes que gente conversou, neste último ano. Sereno... como a dizer que também se aprende a morrer em vida. Não o esqueço, você sabe... você faz muita falta. Ana Amélia Inoue. Julho/1987.”

Uma palavra basta para terminar: feliz o professor que é reconhecido como mestre, e que admirável é a nossa juventude que sabe reconhecer um Mestre.

Pe. Paul-Eugene Charbonneau - doutor em Teologia pela Universidade de Montreal e Vice-diretor do Colégio Santa Cruz