O objetivo dos NAPs (Núcleos de Apoio á Pesquisa) é resolver, de maneira interdisciplinar, problemas críticos da sociedade, desenvolvendo a teoria e as aplicações práticas de diferentes áreas do conhecimento concomitantemente.


Para colocar essa ideia em execução foram abertos dois editais: um em 2011 e outro nesse ano. Para cada um dos editais, foram alocados cerca de 73 milhões de reais de recursos da Universidade.


Foi criada uma comissão avaliadora para decidir quais propostas de pesquisa seriam aceitas, usando como critérios, por exemplo, a relevância social da pesquisa, o potencial interdisciplinar e o diferencial competitivo que a proposta traria para a USP. Após o processo seletivo, foram criados 43 núcleos em 2011. Em 2012, foram mais 75. Assim, o IME coordena três NAPs, dois deles institucionalizados após o segundo edital.


Mesmo após pouco tempo, o Pró-Reitor de Pesquisa já considera os resultados positivos. Já é possível ver concretamente, com a execução de seminários e palestras, pesquisadores de áreas diversas trabalhando juntos. Além disso, para ele, a própria instalação institucional dos NAPs já foi um processo educativo. “Tanto no sentido de produzir conhecimento ao unir pesquisadores de diferentes institutos, como no sentido de resolver problemas administrativos que entravavam a instalação dos núcleos”, diz o professor Zago.

 

 

MACLINC
Desenvolver um profundo entendimento sobre o funcionamento da linguística e da neurociência utilizando, para isso, as ferramentas da probabilidade e da combinatória. Esse é o objetivo do Núcleo de Pesquisa em Modelagem Estocástica e Complexidade que, a partir do resultado do primeiro edital de NAPs, em 2011, ficou conhecido como Núcleo de Apoio à Pesquisa em Modelagem Estocástica e Complexidade – Projeto Matemática, Computação, Linguagem e Cérebro (NUMEC-MaCLinC).


Aplicando os conhecimentos da estatística e da ciência da computação, é possível resolver problemas práticos a partir da modelagem estocástica e do uso de grafos. Um exemplo de projeto do NAP na área de linguística é o uso de árvores de contexto para mapear as diferenças de ritmo entre o português do Brasil e de Portugal e para saber como essas diferenças se traduzem nos textos escritos. Na neurociência, uma das aplicações é desenvolver redes de interação entre neurônios de partes específicas do cérebro através da procura de padrões no meio de grandes variáveis.


A partir desses problemas práticos ocorrem tanto um desenvolvimento da linguística e da neurociência quanto uma ampliação do conhecimento em estatística e ciência da computação ao se tornar necessária a criação de novos conceitos e modelos matemáticos. Modelos estes que, apesar do foco nas ciências da linguagem e do cérebro, podem ter uma aplicação muito mais abrangente, em qualquer problema prático que consista em achar padrões em variáveis aleatórias.


E é nessa aplicação mais abrangente dos modelos matemáticos que reside a interdisciplinaridade deste núcleo de apoio à pesquisa. “Hoje, é muito importante o desenvolvimento da pesquisa interdisciplinar. É indispensável a colaboração com pesquisadores de outras áreas para resolver problemas mais aplicados. Esse intercâmbio é muito importante até para se pensar em novos problemas teóricos, motivados só por essa interação entre conhecimentos”, diz Florencia Leonardi, professora do IME e integrante da equipe do NUMEC-MaCLinC.

 

 

NAWEB
Imagine um ambiente verdadeiramente colaborativo, capaz de utilizar as ferramentas da web e ainda assim se enraizar nas práticas e nas vivências concretas da cidade e da educação, solucionando problemas interdisciplinares.


É a isso que se propõe o Núcleo de Apoio à Pesquisa em Ambientes Colaborativos na Web, coordenado pelo professor do IME Marco Aurélio Gerosa e criado neste ano.


Antes de ser institucionalizado após o resultado do segundo edital, o NAP já existia informalmente. O NAWEB surgiu informalmente em 2009, após o professor Artur Rozestraten, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, perceber que o acervo da biblioteca da sua unidade possuía uma grande quantidade de fotos, mas cujo volume dificultava o uso para estudo arquitetônico. Assim, a partir desse problema prático, teve-se a ideia de criar um ambiente colaborativo virtual onde se pudesse construir coletivamente um acervo de fotos de arquitetura, além de acessar as imagens digitalizadas do acervo da FAU.


A execução desse projeto, que resultou no site Arquigrafia (www.arquigrafia.org.br), envolveu professores do IME, da FAU e também da Escola de Comunicações e Artes. O site conta com ferramentas de tags e de localização geográfica, e no futuro será possível agrupar imagens e criar grupos e comunidades específicas.


Hoje, o NAWEB se tornou um guarda chuva para outros projetos. É o caso do premiado Smart Audio City Guide. Por meio de um aplicativo de celular, é possível armazenar gravações de voz georeferenciadas com dicas funcionais até descrição de ambientes urbanos. Esse ambiente colaborativo em que qualquer um pode gravar suas dicas e acessar as dicas de outros se torna, assim, uma ferramenta para facilitar a mobilidade urbana de deficientes visuais.

 


ESCIENCE
O NAP coordenado pelo professor Roberto Cesar Marcondes se preocupa com toda a parte de criação, armazenamento e visualização de dados que variam de números até imagens, passando por textos jornalísticos. Isso inclui limpar, minerar, distribuir, compartilhar, guardar e criar redes de interação com esses dados utilizando-se das ferramentas trazidas pela ciência da computação.


Diante de um problema prático em qualquer área do conhecimento, pega-se uma pergunta a ser respondida e decide-se quais dados serão necessários e utilizados para respondê-la.


A partir disso, há um desenvolvimento teórico da própria ciência da computação, com o desenvolvimento de novos modelos matemáticos e de novos algoritmos. Deste modo, o desenvolvimento prático e teórico ocorre em paralelo e de maneira interdisciplinar.


Um exemplo de projeto do NAP é o scriptlattes, um software utilizado institucionalmente pela própria Universidade de São Paulo, pela CAPES e pela FAPESP. O programa é capaz de minerar dados a partir da plataforma Lattes e gerar relatórios que apresentam padrões de colaboração entre áreas do conhecimento, análise de internacionalização de universidades e estatísticas sobre a publicação de artigos acadêmicos.


Nas ciências biológicas, o núcleo também desenvolve projetos na área de Bioinformática e de Biologia de Sistemas. Por muito tempo, a biologia trabalhava separadamente com diferentes escalas, como a anatômica, genômica e metabolômica. “Hoje, o desafio da ciência da computação é integrar os dados das diferentes escalas biológicas para resolver problemas práticos”, diz o professor Marcondes.