Inglês e português são línguas diferentes. Não confunda as duas. Por exemplo, não confunda
to return com retornar , to sort com sortear , to assume com assumir , to replicate com replicar , plant com planta , advice com aviso , journal com jornal , comprehensive com compreensivo , to rain com reinar , to freeze com frisar , to pick com picar , to pretend com pretender , to condone com condenar , to realize com realizar , to prevent com prevenir , to record com recordar , college com colégio , terrific com terrível , parent com parente , expert com esperto , eventually com eventualmente , legend com legenda , instance com instância , casualty com casualidade , design com desenho .
(Veja a página de falsos cognatos de Ricardo Schütz.) É preciso ter cuidado ao traduzir termos técnicos em inglês. Eu gosto de traduzir as coisas assim:
to return devolver to sort ordenar, classificar to assume supor to replicate reproduzir, copiar, repetir plant fábrica advice conselho journal revista, diário comprehensive abrangente
É absurdo importar termos do inglês quando existem palavras correspondentes no português:
to delete deletar, apagar, remover, eliminar to check checar, verificar, conferir
Mas é razoável introduzir um neologismo quando não existe uma boa tradução para o português. Exemplos:
layout layout, leiaute software software
(A propósito, não use software no plural. Dizer "Instalei softwares no meu computador" tem o mesmo sabor de "Crio gados na minha fazenda". A expressão "os softwares desse computador" tem o mesmo sabor que "as águas dessa garrafa" ou "os dinheiros na minha carteira".)
Veja o que diz Umberto Eco (entrevista publicada n'O Estado de São Paulo de 9/5/1999) sobre o uso de palavras estrangeiras:
[...] Pode-se, quando muito, influenciar o uso, e é essa a função dos escritores e da mídia. Um bom uso mostra-se pela flexibilidade com que a palavra estrangeira é aceita, se necessária. Todas as línguas estão repletas de palavras estrangeiras que foram naturalizadas. Os franceses dizem "bravo", "sushi" e "allegro ma non tropo"; os ingleses dizem "pizza" e "vis-à-vis". [...] Não concordo, por exemplo, com os franceses quando dizem "logiciel" em vez de "software", porque a oposição "soft-hard" se tornou internacional e as pessoas se entendem muito bem usando essas palavras. Um dia, porém, ouvindo uma rádio francesa, notei que usavam a palavra "job", quando há três palavras em francês para trabalho: "emploi", "travail", "boulot". Existem, portanto, empréstimos que são úteis, como "software"; outros são espúrios, como "job", e é preciso combatê-los. Os jornais italianos dizem com freqüência que Untel pegou a "pole position", um termo inglês inútil, pois se pode dizer perfeitamente que ele pegou o primeiro lugar ou qualquer coisa parecida. Certa vez, li num jornal que Untel tinha conseguido a "pool position". Ele devia estar, então, na piscina!